quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Dismorfo

Por um momento eu me vi liquido, escorrendo pelas frestas da gaiola porosa do meu corpo e desaguando no chão - fora de mim.

Meus dedos buscavam frenéticos por um lugar para segurar.Conforme eu escorria, as ainda unhas arranhavam as grades enquanto resistiam a me liquefazer em antropomorfia dismorfia.

Esvaíram-se as sensações onde descansavam meus olhos. De lá, brotaram pequenas cachoeiras de fluidos pessoais diversos.

Esvaíram-se as memórias, derretidas em distancia para longe da minha boca e ouvidos.
"O quão pouco eu me signifiquei?" - Pensei ao me rever. "O quão tanto tudo me significara".

Gostaria de dizer o quão temeroso eu estava ao saber que sobre mim tudo era insignificado. Tudo falsamente misterioso. Fútil. Superficial.

Fui derretendo e me esquecendo. Já não lembrava-me de mim

Reencontrei-me no final daquele fluxo que partira da gaiola e desaguava em sabe-se-lá-o-que, contudo,  encontrei-me em fragmentos sem forma.  Já não tinha nome, nem significado. Já não tinha mais cor, mas sabia que era salgado. Não tinha mais forma, mas sabia que daquilo que era eu, brotava um cheiro que se assimilava a podridão e alguma forma de ferrugem.


Já não lembrava mais de mim.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Quando me perdi

I

É engraçado pensar
Que apenas encontrei o que queria 
Quando deixei de procurar.

II

Meu amado, deixa-me contar
Que a musica que te canto
Um dia foi do outro
Em teu lugar.

III

Meu amor será segredo
E serei todo teu
Manterei-me na penumbra
Para que sejas todo meu.

IV

5 da manhã
E o teu rosto, roxo com sono
E teu sexo?
Rosa de prazer.