domingo, 26 de outubro de 2014

Ele, eu, a Esperança.

Eu vou te guardar
Onde as coisas não se perdem
Onde nada se esquece

Te transformar em recordação
Nunca te esquecer
E te ter pra sempre
Sempre dentro de mim

E talvez chegue o dia
O dia que eu te desembrulhe
Te coloque em frente a mim
E eu não vou mais relembrar

Nesse dia, eu vou viver
Onde as coisas não se perdem
Onde nada se esquece.

sábado, 11 de outubro de 2014

Ele, eu, a Rebelião.

Me apertava, com ambas as mãos, os ossos no pescoço
Abaixo do queixo, com o indicador e o dedão no maxilar, como uma arma
e dizia: "Não fala".

Me apertava...
O ar só saía. Uma sensação gástrica.
Revolução interna, suor.
Eu abria a boca e não saía nada.

Me tocava os lábios
Dizia: "Shh, quieto... Não fala".
Era rude na pegada, delicado no toque
"Shh... Não fala".


Beijava-me . Sugava a respiração.
Eu já, passivo e conivente, me deixava descolorir
Branco-Rosado. Branco-Leitoso, Roxo-Azulado.
Ele me deitava.


Como uma rebelião, me invadia.
Aquele peso contra o meu peso.  Aquele calor contra o meu frio.
Dois dedos na minha boca. Puxava meu cabelo para trás
"Agora sim, pode respirar"


Ele tinha o meu gosto. Nos dedos dele, o meu gosto. "Chupa."
Sem falar, respirava e me provava. Ele e eu, ambos me provando
Consumia meu corpo, meu ar. Olhava no fundo dos meus olhos
Comia-me.

Sem dó nem piedade, me comia
A seco
"Não fala, respira. Shh, shh"
Eu já não tinha consciência.

Fechada os olhos e me esquecia
Ele afundava os dedos na minha garganta
Me lambia a pupila
Misturava-me na minha escuridão, no meu gosto e, já sem escolha

Gozei.