domingo, 28 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Quando Marina dança dentro de si.

Fechei os olhos. No escuro, contemplava a infinidade do céu acima de mim, no teto do meu quarto. Com a ponta dos dedos, tocava as estrelas e, nesse pequeno gesto, já não sentia mais meu corpo. Eu estava flutuando.

Com o corpo disposto sob a cama, eu flutuava, e pouco a pouco, adentrava o céu e me afundava dentro de mim, dentre os lençóis. A janela soprava um cheiro de saudade, deixava as mães-da-água passarem, dançando em volta de mim. Já não sabia mais o que era céu, o que era escuro, o que era cama, mas sabia que era tudo dentro de mim. 

 Então vieram as ondas, apressadas, afogavam as nuvens do céu noturno, misturando-as, dissipando-as. O mar recuou. O céu foi de um sólido azul da meia noite para um preto total. Prendi minha respiração, segurei com força as estrelas. 

Então ele voltou, furioso. O azul celeste invadia, alagando. Deixando pelo caminho uma grossa espuma de nuvens, afogando as estrelas.

Lutei. "Por favor, não as tire de mim", eu gritava com o céu, com o mar. Minha voz não saia, não sentia meu corpo... Só sabia que meus dedos tocavam as estrelas, que aquele teto era o céu, era o mar e também era meu quarto. 

Azul. Havia se tornado azul. Havia me tornado azul. Minhas mãos estavam vazias, já não sentia a ponta dos dedos. As cortinas sambavam ao sabor das ondas, a espuma balançava ao sabor do vento. 

Já não sabia mais o que era mar, o que era céu e o que eu era, portanto abri os olhos e, em um rompante de cinza, eu estava lá, imerso dentre o branco dos lençóis, abaixo do cinza do meu céu particular, envolto pelo cheiro da saudade que ficou.

"Eu tentei me afogar". Novamente. "Eu tentei me afogar".