domingo, 17 de agosto de 2014

A última fortaleza humana


O Rosto é a última fortaleza humana
O Rosto da atriz
Queria eu ter o rosto da Atriz.

O Rosto é o espelho da Alma
A Alma se esconde por dentro da carne
A Carne do Ser.

A Última fortaleza é feita de carne
A Carne da Atriz
Coberta por pó

O Pó esconde as marcas
As marcas da Atriz
Queria eu não ter as marcas da Atriz

O Rosto é a última fortaleza humana
Coberto por Pó, esconde as marcas
Mas revela em si

Os olhos da atriz.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sobre Sonhos, Sabores e Labradores - e a cabeça que vai à "trocentos" lugares.

Sempre tive cachorros, vários, de várias raças. Sempre dormiram por perto. Perto o suficiente para os ver sonhar.

E cachorro sonha?
Há quem diga que sim, há quem diga que não. Aparentemente, a ciência diz que sim. Minha velhota, que já se foi, costumava choramingar [ou latir (e correr)] desacordada... As vezes, até roncava... Não sei que tipos de comprovação eu precisaria para além disso, então estou convicto que , pelo menos, os meus cachorros sonham.


Em uma tempestade ritualística pensei: "o que sonha um recém nascido?", mas ia lembrei que não gosto muito de gente, e então reformulei: "o que sonha um cachorro recém nascido?". Não penso como cachorro, tão pouco sei como funcionam suas rotinas,embora, acredito eu, que a rotina dos meus cães seja algo que eu determinei de alguma forma, nunca parei para perguntar:

"E ai, tá curtindo essa vida?"

Pelo menos, não sei  se recebi uma resposta clara e significativa.
"Um 'Au' pra 'tudo bem', dois pra 'que saco'." - Eu diria

E eles não responderiam, já que, estranhamente, meus cachorros nunca foram de latir. Talvez babões, temperamentais, preguiçosos ou esnobes, mas vocalizantes, raramente.  Portanto, espero que estejam contentes em suas rotinas.

Enfim.

Tudo isso só para chegar aqui e agora.
Estava pesquisando "O que sonha um cachorro recém nascido", e então parti dos seguintes pontos: nossos sonhos (enquanto seres humanos - ou coisa do gênero, ás vezes nem tão humanos assim) são fruto de nossas experiências, sejam elas sensoriais, intelectuais, sexuais...

Um cachorro recém nascido não possui experiências visuais , portanto, os sonhos não possuiriam um padrão imagético verossímil com os aspectos da visão.

"Talvez eles sonhem com vermelho".
Parece sensato.

Não sei se há uma experiência auditiva ativa nesse momento.
"Você vai ser um ótimo pesquisador, Patrick".
"Brigadão".

Há, pelo menos três distinções de paladares: doce, salgado e amargo e, nos primeiros 15 dias de vida de um cachorro, há a preferência pelos sabores doces.
Então... Talvez, os sonhos tenham gosto de leite, e sensação de cobertor. De pelugem, de irmãozinhos e irmãzinhas, ou de flutuar..


E, portanto, talvez... Os pesadelos tenham gosto de sangue, pus ou água. Sensação de piso frio, de sacola plástica (ou ecobag, já que somos ecológicos) ou de cair.


Como eu já não lembro como é sonhar sem imagens e, esporadicamente, até me esqueço como é sonhar, desisti de tentar entender os sonhos que não são meus. Não por não me terem valor, bem pelo contrário, mas simplesmente não serem meus. Desta forma, procuro coisas minhas junto aos outros ,e coisas dos outros pelos outros, sem chamá-las de sonhos, pois assim, me sinto mais próximo e mais tangível de qualquer coisa que eu chamaria de "plano" (mas pode ser chamado de José sem muitos problemas, é só uma palavra munida de poucos significados práticos nessa altura do campeonato).
Enfim, voltando ao assunto que tenho mais propriedade (e com isso, quero dizer, que eu li um artigo na Wikipédia). Fiquei pensando... Nunca gostei de café. Se os cachorros, quando nascem, distinguem doce, amargo e salgado, preferindo doce,  e então, eles sonham com doces, talvez eu sonhe com doces.

E esses doces se misturam com as experiências, e as sensações ganham gostos numa explosão sinestésica de sons e formas, gostos, cheiros, texturas, experiência, memória e membro fálico exposto. E nisso, talvez eu sonhasse com amores enferrujados, com gosto de sangue azul. E talvez a saudade não fosse amarga, mas doce, como diria o poeta (na verdade, um prelúdio de um CD da Ana Carolina, mas tudo bem).

Tudo isso só para dizer que não sei.

sábado, 2 de agosto de 2014

Canto de Batalha II

Te peço, Savannah, pega minha mão
Vem dançar
Te giro, me contorna

Pega minha mão
Vem dançar

Que o vento nos teus pés
Nos leve mais além
Do que além do teu olhar.