sábado, 13 de dezembro de 2014

Sobre os amores de 15 minutos

Amei aquele céu ametista
Ele me amou de verdade

Engraçado pensar
Que o único homem que viria amar
Não seria homem

De verdade.

domingo, 26 de outubro de 2014

Ele, eu, a Esperança.

Eu vou te guardar
Onde as coisas não se perdem
Onde nada se esquece

Te transformar em recordação
Nunca te esquecer
E te ter pra sempre
Sempre dentro de mim

E talvez chegue o dia
O dia que eu te desembrulhe
Te coloque em frente a mim
E eu não vou mais relembrar

Nesse dia, eu vou viver
Onde as coisas não se perdem
Onde nada se esquece.

sábado, 11 de outubro de 2014

Ele, eu, a Rebelião.

Me apertava, com ambas as mãos, os ossos no pescoço
Abaixo do queixo, com o indicador e o dedão no maxilar, como uma arma
e dizia: "Não fala".

Me apertava...
O ar só saía. Uma sensação gástrica.
Revolução interna, suor.
Eu abria a boca e não saía nada.

Me tocava os lábios
Dizia: "Shh, quieto... Não fala".
Era rude na pegada, delicado no toque
"Shh... Não fala".


Beijava-me . Sugava a respiração.
Eu já, passivo e conivente, me deixava descolorir
Branco-Rosado. Branco-Leitoso, Roxo-Azulado.
Ele me deitava.


Como uma rebelião, me invadia.
Aquele peso contra o meu peso.  Aquele calor contra o meu frio.
Dois dedos na minha boca. Puxava meu cabelo para trás
"Agora sim, pode respirar"


Ele tinha o meu gosto. Nos dedos dele, o meu gosto. "Chupa."
Sem falar, respirava e me provava. Ele e eu, ambos me provando
Consumia meu corpo, meu ar. Olhava no fundo dos meus olhos
Comia-me.

Sem dó nem piedade, me comia
A seco
"Não fala, respira. Shh, shh"
Eu já não tinha consciência.

Fechada os olhos e me esquecia
Ele afundava os dedos na minha garganta
Me lambia a pupila
Misturava-me na minha escuridão, no meu gosto e, já sem escolha

Gozei.

domingo, 28 de setembro de 2014

domingo, 14 de setembro de 2014

Quando Marina dança dentro de si.

Fechei os olhos. No escuro, contemplava a infinidade do céu acima de mim, no teto do meu quarto. Com a ponta dos dedos, tocava as estrelas e, nesse pequeno gesto, já não sentia mais meu corpo. Eu estava flutuando.

Com o corpo disposto sob a cama, eu flutuava, e pouco a pouco, adentrava o céu e me afundava dentro de mim, dentre os lençóis. A janela soprava um cheiro de saudade, deixava as mães-da-água passarem, dançando em volta de mim. Já não sabia mais o que era céu, o que era escuro, o que era cama, mas sabia que era tudo dentro de mim. 

 Então vieram as ondas, apressadas, afogavam as nuvens do céu noturno, misturando-as, dissipando-as. O mar recuou. O céu foi de um sólido azul da meia noite para um preto total. Prendi minha respiração, segurei com força as estrelas. 

Então ele voltou, furioso. O azul celeste invadia, alagando. Deixando pelo caminho uma grossa espuma de nuvens, afogando as estrelas.

Lutei. "Por favor, não as tire de mim", eu gritava com o céu, com o mar. Minha voz não saia, não sentia meu corpo... Só sabia que meus dedos tocavam as estrelas, que aquele teto era o céu, era o mar e também era meu quarto. 

Azul. Havia se tornado azul. Havia me tornado azul. Minhas mãos estavam vazias, já não sentia a ponta dos dedos. As cortinas sambavam ao sabor das ondas, a espuma balançava ao sabor do vento. 

Já não sabia mais o que era mar, o que era céu e o que eu era, portanto abri os olhos e, em um rompante de cinza, eu estava lá, imerso dentre o branco dos lençóis, abaixo do cinza do meu céu particular, envolto pelo cheiro da saudade que ficou.

"Eu tentei me afogar". Novamente. "Eu tentei me afogar".

domingo, 17 de agosto de 2014

A última fortaleza humana


O Rosto é a última fortaleza humana
O Rosto da atriz
Queria eu ter o rosto da Atriz.

O Rosto é o espelho da Alma
A Alma se esconde por dentro da carne
A Carne do Ser.

A Última fortaleza é feita de carne
A Carne da Atriz
Coberta por pó

O Pó esconde as marcas
As marcas da Atriz
Queria eu não ter as marcas da Atriz

O Rosto é a última fortaleza humana
Coberto por Pó, esconde as marcas
Mas revela em si

Os olhos da atriz.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sobre Sonhos, Sabores e Labradores - e a cabeça que vai à "trocentos" lugares.

Sempre tive cachorros, vários, de várias raças. Sempre dormiram por perto. Perto o suficiente para os ver sonhar.

E cachorro sonha?
Há quem diga que sim, há quem diga que não. Aparentemente, a ciência diz que sim. Minha velhota, que já se foi, costumava choramingar [ou latir (e correr)] desacordada... As vezes, até roncava... Não sei que tipos de comprovação eu precisaria para além disso, então estou convicto que , pelo menos, os meus cachorros sonham.


Em uma tempestade ritualística pensei: "o que sonha um recém nascido?", mas ia lembrei que não gosto muito de gente, e então reformulei: "o que sonha um cachorro recém nascido?". Não penso como cachorro, tão pouco sei como funcionam suas rotinas,embora, acredito eu, que a rotina dos meus cães seja algo que eu determinei de alguma forma, nunca parei para perguntar:

"E ai, tá curtindo essa vida?"

Pelo menos, não sei  se recebi uma resposta clara e significativa.
"Um 'Au' pra 'tudo bem', dois pra 'que saco'." - Eu diria

E eles não responderiam, já que, estranhamente, meus cachorros nunca foram de latir. Talvez babões, temperamentais, preguiçosos ou esnobes, mas vocalizantes, raramente.  Portanto, espero que estejam contentes em suas rotinas.

Enfim.

Tudo isso só para chegar aqui e agora.
Estava pesquisando "O que sonha um cachorro recém nascido", e então parti dos seguintes pontos: nossos sonhos (enquanto seres humanos - ou coisa do gênero, ás vezes nem tão humanos assim) são fruto de nossas experiências, sejam elas sensoriais, intelectuais, sexuais...

Um cachorro recém nascido não possui experiências visuais , portanto, os sonhos não possuiriam um padrão imagético verossímil com os aspectos da visão.

"Talvez eles sonhem com vermelho".
Parece sensato.

Não sei se há uma experiência auditiva ativa nesse momento.
"Você vai ser um ótimo pesquisador, Patrick".
"Brigadão".

Há, pelo menos três distinções de paladares: doce, salgado e amargo e, nos primeiros 15 dias de vida de um cachorro, há a preferência pelos sabores doces.
Então... Talvez, os sonhos tenham gosto de leite, e sensação de cobertor. De pelugem, de irmãozinhos e irmãzinhas, ou de flutuar..


E, portanto, talvez... Os pesadelos tenham gosto de sangue, pus ou água. Sensação de piso frio, de sacola plástica (ou ecobag, já que somos ecológicos) ou de cair.


Como eu já não lembro como é sonhar sem imagens e, esporadicamente, até me esqueço como é sonhar, desisti de tentar entender os sonhos que não são meus. Não por não me terem valor, bem pelo contrário, mas simplesmente não serem meus. Desta forma, procuro coisas minhas junto aos outros ,e coisas dos outros pelos outros, sem chamá-las de sonhos, pois assim, me sinto mais próximo e mais tangível de qualquer coisa que eu chamaria de "plano" (mas pode ser chamado de José sem muitos problemas, é só uma palavra munida de poucos significados práticos nessa altura do campeonato).
Enfim, voltando ao assunto que tenho mais propriedade (e com isso, quero dizer, que eu li um artigo na Wikipédia). Fiquei pensando... Nunca gostei de café. Se os cachorros, quando nascem, distinguem doce, amargo e salgado, preferindo doce,  e então, eles sonham com doces, talvez eu sonhe com doces.

E esses doces se misturam com as experiências, e as sensações ganham gostos numa explosão sinestésica de sons e formas, gostos, cheiros, texturas, experiência, memória e membro fálico exposto. E nisso, talvez eu sonhasse com amores enferrujados, com gosto de sangue azul. E talvez a saudade não fosse amarga, mas doce, como diria o poeta (na verdade, um prelúdio de um CD da Ana Carolina, mas tudo bem).

Tudo isso só para dizer que não sei.

sábado, 2 de agosto de 2014

Canto de Batalha II

Te peço, Savannah, pega minha mão
Vem dançar
Te giro, me contorna

Pega minha mão
Vem dançar

Que o vento nos teus pés
Nos leve mais além
Do que além do teu olhar.

sábado, 26 de abril de 2014

Canto de Batalha I

Digo:
Me sinto seguro no teu amor 

Me responde:
Não há segurança em um campo de batalha 

Te replico:
Me protejo entre teus braços, minha trincheira.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Te confesso

Estou apaixonado: não por ti,
 mas pela tua solidão.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

De Carne e Alma.


Sem sangue e sem pulso, converso com meu coração
"Aí ainda tem amor?".
 Ele, então, bateu uma ultima vez e se pôs a dormir.