segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os olhos não te veem no escuro

Se pudesse nunca mais me ver
nunca me veria
Jamais me sentiria
não iria afundar

Por mais profunda que fosse
a minha profundeza
Por mais violenta que fosse
eu não seria mar

Seria eu outra sombra?
um espectro amorfo e sem proporções
Como um sonho ao acordar
uma lembrança imediata e nula

Sem me ver, sem conhecer-me a fundo
talvez não me sentisse tão só
Talvez não entendesse o qual cruel pode ser
apenas o fato de ser

..Por fim
de todas as dores, escolheria a solidão
Não por um altruísmo fadado ao fracasso
mas pela esperança de não afogar ninguém.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mediação

Eu sou feito de contramedidas
De medidas imediatas que nada medem
Se não o grau do meu descaso

Descaso que não casa comigo
Que transporta meu caso para um acaso
E a causa já não sei mais

A verdade é que nunca fui capaz de amar
Nunca me amei e nada amo
Nada além do mar

Depois de tanto nadar, aprendi a afundar
E a fundar o que no fundo há
Que não é amor, nem é mar.

E se no fundo eu fundei o meu descaso
É porque fundi o que não tive -
Que gostaria de foder.

Por isso nunca amei ninguém, mas amei O'mar
Que, nas contramedidas, em todo meu descaso
A causa soube amar. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Devaneio Noturno

Solitária é a Noite na qual o som dos sapatos é mais alto que o som do coração