sábado, 28 de dezembro de 2013

Contracapa

Nunca encontrei redenção
E no mais longo dos abraços...
Pouco encontrei
Se não proteção

Pois feito de cicatrizes
De marcas
De arranhões
Meu corpo é um livro
Um livro de cabeceira

Viver é um trabalho de arte
Estar vivo é ser um artesão
E na arte, construir muros, livros...
Muros que seguram
Livros que são proteção.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Constatei

Sorrir é um exercício de atuação
&
Crescer é um exercício de solidão.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Lésbiônica – Guitarra – Xilarmônica

Robótico-sentimental
De fios em curto, curtos fios sonoros
Tensionados, tencionando a tensão de um tesão errante
Extasiado, querendo viver.

Quem te protege da chuva e da ferrugem?
Teu corpo metálico? Teu cobre em curto?
E teu coração biônico? Quem o alimenta?
Por onde corre teu óleo, se não pelos teus olhos?

Transformas-te em canção...
Tenciona teu tendão
E do ruído mais amargo
Lança teu pulsar venal.

Tuas veias frigidas, feitas de ferro, cobre e aço
Guardam a canto da vida... Um grito belo, xilarmônico!
E teu coração biônico... No pulso harmônico
Tenta ser orgânico.

Apodreces e enferrujas, desmanchas a carcaça
Como se não fosse viver, e na vida, ressonar
E teus sons metálicos, Lésbiônica Guitarra
Nada são se não o som do teu amar. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Dar o meu melhor.

Eu vou dar tudo de mim para ama-lo
Não sei porque o quero tanto
É, eu tentarei e o manterei ao meu lado
Jamais o deixarei ir.

Ah! Aprendi tanto na minha pobre vida!
Rir de um humor que não posso ver
É triste, eu sei. Não poder demonstrar meu amor
Mas não o libertarei.

Então... Eu vou dar tudo de mim para o amar
Mesmo que leve a noite toda
Mesmo que esse sentimento me machuque

Ouvi dizer que a dor pode te tornar mais forte
E eu sei que não sou a garota dele...
Realmente, nunca achei que me importaria,
Mas vê-lo nos teus braços é algo que eu não posso permitir.

Se você dissesse que não tenho coração
Bem... Eu dificilmente choraria
Pois não há nada que você saiba sobre mim que eu me preocuparia em negar.

E não é que eu não o ache doce...
Eu conheço sua voz muito bem...Seu toque, seus olhos
E, com certa frequência, o que há abaixo também.

Eu me pergunto se, se eu tentar isso muito, ainda sim seria uma vergonhosa mentira...
Dizer que amo esse garoto, esse homem.
Mas sou amável, e ele é gentil.
Então, no fim das coisas, talvez, eu possa concordar que esse garoto merece uma melhor amiga
E amante também

Mas vou dar tudo de mim para ama-lo
Só para mantê-lo longe de ti.
(Try my Best, tradução da poesia de Emilie Autumn)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Savannah & Eu.

E eu achei que encontraria amor... Dá mais sincera e absurda forma, achei que encontraria amor. Não falo de todos aqueles estágios de frio na barriga, de ansiedade, de esperança, não, não esse tipo de amor... Pelo menos, não ainda.


Eu sou feito por sugestões . Um “e se...” faz meu coração tremer, me faz deitar na cama e sonhar... “Nossa, as coisas podiam ser diferentes se... E se... Talvez...”... É.  Fujo de mim e é uma corrida constante em direção ao nada. Corro para longe e, ao mesmo tempo, para lugar algum. Como posso fugir de mim? Como me exorcizar de mim mesmo? É inconcebível, impensado... Uma sugestão? Eu devia parar.



Palpitações, meu coração canta – meus ouvidos não o escutam.

É engraçado e isso não se trata só de mim – todos, sem exceção, somos programados para nos ignorar. Feito robôs, ignoramos os sons dos nossos corações, o barulho das nossas gargantas, sedentas, ao engolir. O som dos nossos narizes e tantos outros grunhidos grotescos. Somos programados para ignorar nossa opereta pessoal e, talvez, por isso, seja tão fácil ignorar tantas outras coisas minhas. Já não sinto dor, não me sinto mal, não sinto esperanças...


É, com o tempo, o senhor se tornou um ótimo mentiroso.

Concordo, porém não farei nada, estou convicto.

Essa convicção é um vicio.
O que é um vicio dentre tantas virtudes?
Virtudes quais?
Já não sabemos.
Sejamos sinceros, sim?
Tudo dói, a cada sonho que possuo, cada sugestão me faz tremer, cada expectativa que crio... Há aí duas coisas: esperança e medo. Eu sei sonhar, mas e se for apenas um sonho? Eu não quero mais! Não quero esperar, não quero... Dói, dói saber que, de tudo isso, nada vai ser real, e já fantasio demais, minha utopia é perfeita e pouco espaçosa, não há espaço para verdades dolorosas.
Então seria melhor parar, não?
Eu já tentei.
Funcionou?
Eu ainda estou respondendo, não?
...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os olhos não te veem no escuro

Se pudesse nunca mais me ver
nunca me veria
Jamais me sentiria
não iria afundar

Por mais profunda que fosse
a minha profundeza
Por mais violenta que fosse
eu não seria mar

Seria eu outra sombra?
um espectro amorfo e sem proporções
Como um sonho ao acordar
uma lembrança imediata e nula

Sem me ver, sem conhecer-me a fundo
talvez não me sentisse tão só
Talvez não entendesse o qual cruel pode ser
apenas o fato de ser

..Por fim
de todas as dores, escolheria a solidão
Não por um altruísmo fadado ao fracasso
mas pela esperança de não afogar ninguém.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Mediação

Eu sou feito de contramedidas
De medidas imediatas que nada medem
Se não o grau do meu descaso

Descaso que não casa comigo
Que transporta meu caso para um acaso
E a causa já não sei mais

A verdade é que nunca fui capaz de amar
Nunca me amei e nada amo
Nada além do mar

Depois de tanto nadar, aprendi a afundar
E a fundar o que no fundo há
Que não é amor, nem é mar.

E se no fundo eu fundei o meu descaso
É porque fundi o que não tive -
Que gostaria de foder.

Por isso nunca amei ninguém, mas amei O'mar
Que, nas contramedidas, em todo meu descaso
A causa soube amar. 

domingo, 4 de agosto de 2013

Devaneio Noturno

Solitária é a Noite na qual o som dos sapatos é mais alto que o som do coração

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nós (Os Cães)

A essa hore eu estaria deitado em alguma cama qualquer, usando uma roupa qualquer e com qualquer um... Sim, pois sem minha casa qualquer lugar é um lugar, e eu não estou em lugar algum. Seria mais uma noite daquelas: outro cara, outra cama, outro preservativo, talvez ele me pagasse uma bebida, talvez eu ganhasse 60 reais.  Talvez fosse bom, talvez machucasse – E ai eu diria: “para, por favor”, ou “vai com calma”, e ele me bateria e faria ainda pior...  Poderia ser gentil também e, nesse caso, eu me consideraria sortudo, sei lá...

Nessa noite, talvez, eu chamasse um, dois, três, de amor. É, eu diria que são belos, que são bons, que me comem direito, ou que são apertadinho para comer, que são... Suculentos? É, talvez eu amasse infinitamente infinitas pessoas, sentisse tantos calafrios que botasse um casaco e, talvez, meu coração batesse tão forte que quebrasse minhas costelas. É, talvez nessa noite eu amasse um milhão.

Fora de casa, todo amor é amor, não me importa a origem ou a duração: todo amor é amor.  Amar um Paulo, um André, amar uma Natasha, uma Alexandra... Um Leonor que se sente melhor como Michele, ou uma Michele prefere ser chamada de Willian. Sim, todo amor é amor, dure uma hora, dure uma noite.

De joelhos pedindo por afeição, como um gato – Não, como um cão. Sim, submisso e leal. Todo esse amor duraria por horas, horas suficientes para eu lembrar que me esqueci de perguntar pelo nome. E ai, quando cada qual tornar suas costas e seguir seu caminho, eu direi que amei alguém... Sim, “alguém”, incógnito, sem nome. Talvez sem rosto (eu nunca sei como estou), e ai os sentimentos vão ficar guardados naquele jarrinho pulsante.

E se esse amor durar por minutos a sensação será a mesma, será de satisfação imediata. “Criança, você quer aprender sobre o mundo?”, e eu diria “Não, eu só quero amar no presente. O presente que amo -  eu te amo”.  Nesse caso é o mesmo ciclo: um novo amor, outra cama, outro preservativo, talvez uma bebida, talvez 60 reais, talvez ele me bata – mas com certeza, eu o amarei... Não o amarei, eu o amo, no presente, enquanto durar.

De tanto bater, com tanto amor, meu coração aprenderá a bater rápido, e ele estará sempre pulsante e alegre, jovem, feito uma criança. São tantos amores, um coração que guarda todo o amor do mundo. E então eu me retiraria, voltaria para qualquer lugar e lá ficaria. Eu e o que amo, sempre no presente, pulsando gloriosamente meu corpo, meu falo e meu coração. Nessa noite talvez eu amasse pra sempre, nos infinito dos números, na duração da noite.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Milésimo estado da matéria.

Eu, de tantas outras coisas, quis ser o mar –  Hoje não sou água, hoje não sou onda.
Não sou peixe, não fluo, não sou molhada.
Hoje eu sou Terra, amanhã serei  Sol.
Nos teus braços eu sou o vento, e minha língua o anzol.
Nos teus lábios sou a isca, na tua mente, o pensamento.
No teu tronco, sou o peso, no teu pênis, o julgamento.
Nas tuas pernas sou o caminho, nos teus pés eu sou o céu.
Para as nuvens, sou casa
Em casa sou filho, sou mãe, sou irmão.
Em meu irmão sou o reflexo
No reflexo sou minha mãe
Nela, sou o agouro
E no agouro, sou solidão
Na solidão eu sou todas, e de todas, nenhuma
E nenhuma sou eu, onde todas estão
De tantas coisas que eu sou, sou tudo, menos eu.

Que o tempo me separe.

Eu não faço nada, eu não tenho planos
Já não tomo banho, não penteio os cabelos
Já não sinto frio
Já não faço a barba
já não faço amor, não sei o que fazer
Não espero mais
já não sonho mais,
já sinto calor
Já não sou mais eu, eu sou outro alguém e
Já me perdi
Já quis fugir,
já quis voltar, não sei onde ir
Já me iludi,
já me vivi, me inventei -  Eu sou outro eu, eu sou outro alguém,
Já não sou ninguém.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Nada além do mar.

Abri meus portões:
Alagando minhas planícies com lagrimas vermelhas
Aquele choro não vocal como vinho se tratou
Em vinho me tornei

Além das minhas colinas, nada havia se não o mar
Minha crosta houve por afundar
Meu cerne não se pôde ver
E o que ali restou, houve-se por esquecer.


As pesadas ondas refletiam o doce escarlate
E a espuma cantava o doce e pungente prazer
Nas costas do meu ser nada há
Nada além do mar.

Água foi o que desejei
Vinho, o que me tornei
Um oceano escarlate
De nada, só prazer.

domingo, 23 de junho de 2013

A Quimera me comeu.

Mente pra mim, por favor!  Só mente pra mim. Eu quero minha utopia, eu quero meu final feliz! Mente pra mim, me faz acreditar, eu não quero nada real, nunca mais.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Quimera I

A vida fez tua verdade
E da verdade, teu grilhão.
Minha doce quimera, agora domada
Te ofereço minha oração:

Antes que teus olhos mergulhem no ultimo olhar...
Lembra-te - a vida é doce
E mesmo que tarde fosse
Nunca é tarde para amar.

Ama com Âmago!
Com teu cerne, ama com tua carne!
Expõe tuas vísceras...

Quando fechares teus olhos, não acredita nas mentiras
Não te seduz pelo escuro, pois nada não há.
Cada pilar da noite há de conter um sorriso luminoso
E um coração caloroso há de te encontrar

Quando, enfim, teu coração se aquecer
Tua alma água há de se tornar
Teu grilhão hei de derreter
Minha doce quimera, tu tens que amar!

domingo, 9 de junho de 2013

A Poe'tiza

Não há poesia que vá te salvar
Tão pouco amor que te toque o coração
Nem a luz do dia pode te iluminar
Teu corpo jaz no caixão

Sacrifica teus amores, minha amada quimera
Em busca da tua métrica sedutora
Sacrificou tua autora
Tua obra eviscera


Junto às mãos por ti – Durma bem
No Sono eterno
Para sempre... minha amada quimera
...Para sempre, Durma Bem.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

O Musicista

Lembrar da tua voz:
Hoje ela é um mistério
E eu me sinto velho
Por não lembrar

Foram dez palavras
Já nem lembro mais
Nem importa mais
O que foi falar?

Talvez sobre o céu...
Ou pode ser o chão...
Falar sobre o léu...
Ou não.

Ainda assim, eu queria lembrar,
Lembrar da tua voz,
Das dez palavras
Do teu olhar

E eu já nem lembro
Da casa dos teus olhos
Onde dormem teus sonhos
Quando te vi passar.

Por um breve momento
Sob esse lamento, me pus a pensar
Se é da tua voz que eu sinto falta
Ou se minha falta é teu olhar.


sexta-feira, 22 de março de 2013

Viajante dos céus


O céu falou comigo hoje
Me contou histórias
Feitos de lugares que jamais conheci
E então partiu

Vi seu belo manto deslizar em direção a um futuro
Em direção a outro tempo, outro lugar
Só então entendi onde estava
Quem sou.

A melodia daqueles lábios suaves
Penetrou meu ser
Quebrou meus grilhões
Me ensinou a voar

E se eu te esperar, novamente, no mesmo lugar
Você falará comigo? Virá me encontrar?
Ó céu que me contou histórias
Tenho tanto a te contar.


Dedicado ao stress, as nuvens de Outono e a Utada Hikaru

quarta-feira, 20 de março de 2013

Anatomia / Porque os boêmios bebem.


Eu fui salvo por aquele suspiro
Aquele resquício de alma
Que nada havia por oferecer
Se não aquelas partículas de ar

Aquela alma inflou meus pulmões
Aquele gás toxico que houveram por chamar de “amar”
Me corroeu as entranhas, me deixou aberto o tórax
Revelando o pulsar venal

Tão cru e delicioso
Explodindo no escarlate do doce vinho
Tão intimo, tão cru
...Tão meu.

As falanges o entornaram
Os lábios saciaram-se no meu liquido
Só quando dei por mim, fui devorado
E o meu corpo, a garrafa, já estava nu.