sábado, 27 de outubro de 2012

Sinceridades.

Estarei bem
Contanto que morram todos
E não sobre ninguém

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Chamadas Perdidas.



Em um quarto sujo de Hotel, sentada a beira da Janela, estava Alice, jovem de cabelos loiros e corpo magro, nua e fumando um cigarro. Conversava com Clara, igualmente jovem, porém fisicamente mais saudável e de cabelos negros, a quem confessara seu amor a poucos minutos. Clara vestia-se para retornar as ruas, trabalhava como garota de programa. Ao longo do processo Alice contava seus sonhos amorosos, Clara, os absorvendo apaticamente, dizia “Sim, Claro. Aham...”. Alice demorou a entender o que ali acontecia e questionou se realmente era amada de volta. Clara respondeu, dizendo que pertenciam a mundos diferentes, pegou o dinheiro do programa e saiu, batendo a porta silenciosamente. Alice chorou.
Alice era uma mulher metódica, chamava por Clara sempre no mesmo horário e nos mesmos dias, contudo, as chamadas cessaram depois daquela noite. De inicio, Clara estranhou, checava seu celular enquanto fazia ponto na Rua Liberdade, esquina com a Aurora (Canoas), mas não havia nenhuma chamada, sequer uma mensagem. Seguiu prestando seus serviços. Foi, então, contratada para fazer um ménage à trois por um homem de aparência refinada. Entrou no carro e, ao seu lado, estava uma bela mulher de cabelos vermelhos. Seguiram os três em direção a um motel, durante o caminho, nenhuma palavra foi dita.
No motel, o homem se despiu no quarto, enquanto Clara, aparentemente, o observava, seus olhos estavam vazios. A ruiva estava se arrumando no banheiro. Retocava a maquiagem e arrumava o cabelo, seus olhos denunciavam certo nojo. Pegou sua bolsa e seguiu em direção ao quarto. Deitaram-se na cama e começaram a transar. Clara alisava a pele da ruiva, que se contraia em um misto de vergonha e prazer. Clara notou a estranha reação da garota, colocando sua mão, delicadamente, no rosto da garota, fazendo-a lhe olhar. “Alice?”, Clara sussurrou. A resposta foi o silencio abafado pelos gemidos.
Ao fim do programa, o homem deixou as garotas no ponto onde Clara trabalhava. A ruiva desceu do carro e caminhou em direção a Rua Liberdade. “Alice! Eu sei que é você!”, Clara gritou. A ruiva continuou caminhando, silenciosa. “Fala Comigo!”, gritou, novamente, Clara, sem obter alguma reação.  Do olho da ruiva, desceu uma lagrima, mas nenhuma palavra foi dita. Sentiu sua mão ser puxada e, então, virou-se. Clara olhou em seus olhos e disse “É você, Alice...”. As garotas se encararam por um breve momento. Clara perguntou o que havia acontecido, porque ela estava ali. Alice se manteve silenciosa. Clara a abraçou, questionou o que estava acontecendo. Alice apenas disse “Nós pertencemos a mundos diferentes”, se libertou dos braços de Clara e partiu. Clara sentiu seus olhos molharem.
Clara voltou para o ponto, olhou o celular novamente. Nenhuma mensagem, nenhuma chamada.

sábado, 6 de outubro de 2012

Vio

Violentado
        Violado
                Violência
                       Violeta
                    Viola
                 Violão
           Violino
     Violoncelo
 Viofórmio