terça-feira, 25 de setembro de 2012

Me encontrar


Eu abracei meu ser
Abracei-o por completo
Abracei-o todo
O incompleto

Minhas mãos tocaram o melhor de mim
O mais doce
O mais sutil
Talvez, o mais feliz

Meus braços envolveram quem sou
Meus vícios, as cicatrizes,
Minhas lagrimas, as estrias
Minhas clemencias, os cortes

Meu peito aconchegou meus medos
Todos eles, sem exceção
Pois eu temo estar sozinho
Eu temo a solidão

Ao meu corpo abracei
Cada parte de mim eu senti
E todo o vazio
Eu acoli.  

sábado, 22 de setembro de 2012

Não tão surreal


A gata borralheira
Que limpa os corredores
Tira pó dos vazios
E as teias das artérias.
O liquido ressecado

Lhe é permitido sonhar
Uma noite ou outra, fechar os olhos ver
Mentir para si, lhe é permitido
Sofrer com algo que jamais chegará.
Uma viagem só de ida para um lugar longe daqui.

Esperando pela fada madrinha
E pelos sapatos de cristal.
Fugindo do badalo do relógio
Do medo desconhecido..
Um futuro que não existe

Quando a porta se abre e alguém entra
O coração esquenta
Nova esperança
Um novo alguém para sonhar.
Rota de fuga

Nos novos olhos descansam os sorrisos
E a promessa da fada madrinha
Do sapato de cristal, do balado
Mas é um sonho
Um amor condicionado

Condicionado ao badalo
Ao som do relógio
Ao grito de acordar
Aos teus lábios
Junto a outro alguém

sábado, 15 de setembro de 2012

Versos Soltos


Eu abracei todos meus medos
Todos eles
Pois temo a solidão. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Garoto de Programa


Lençóis vermelhos.
Me conta tudo...
Dos teus sonhos, do teu passado.

Disse que gosta de mim,
Mas que gosta do mundo
Gosta de tudo e te todos
E que deseja muito mais
Do que a vida de casais.

Contou que sente medo
Que não sabe o que está por vir
Que não sabe onde ir

Posso segurar na tua mão?
Acho que posso te guiar
Por caminhos tortuosos
De noites escuras e longas
Por onde podemos passa

Só confia... E me segue
Entre as pedras e os espinhos
Não solta a minha mão

É uma noite longa
Na qual é melhor sonhar,
Mas sonha comigo, segura minha mão
Pois pedras e espinhos vão te machucar,
Mas faço a frente, eu faço o vão.

O que seria isso? Frio?
E o que criamos... Um vão?
O que aconteceu?

Lençóis vermelhos
Secos, sem uma lagrima, sem um fluído
E você, sentado ai, desnudo, o que esperas?
Tuas cicatrizes? Eu disse... Segura a minha mão
Eu faço o vão.

Não era isso? Não...
Era menos... Era muito menos
Não era nada.

Teu sorriso mentiu para mim
Tanto quanto os teus olhos,
Mas não tem problemas
O teu dinheiro está ali
E o amante que você foi... Eu te resumo.

Levas teu dinheiro e apaga nossas histórias
A noite já está por acabar
E aqui não é seu lugar.