domingo, 27 de maio de 2012

Libido


Nesse momento, vocês são um
E o teu corpo, ela domina
Tudo teu, é dela
Tudo dela, é teu

Dela também é a mentira
Aquele corpo não entende teu coração
Não engana teus olhos, nem teus ouvidos
Tudo não passa de uma brincadeira

De quem a voz que sentes perto do teu pescoço?
O que passas na tua cabeça? Em quem tu pensas?
Quando tocas aquela pele...
Te excitas?

Ela brinca com a tua cabeça
Não, ela brinca com teu corpo
O nome a quem tu clama não é o dela
A pessoa em quem tu pensas sou eu. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Depressão.

 Batom vermelho... Morgan sempre me contou que as mulheres de verdade devem ser poderosas e essa mascara tão carnal, me fazia sentir assim. Tudo começou na minha primeira vez, eu era jovem, uns 13 anos creio eu... Morgan me disse: “Tá vendo aquele senhor ali? Ele vai brincar com você, seja uma boa menina e o obedeça, ok?”.  Então aquelas mão pegajosas me tocavam, mas eu fui uma boa menina, fiz o que tinha que ser feito e continuei fazendo por mais uns 5 anos.
Camisa de força... Foi como me guardaram em uma cela. O motivo? Isso realmente não importa agora. Tudo que você precisa saber é que foi doloroso...E com amor. Morgan me visitou algumas vezes naquele lugar... Me deram remédios para dormir...Para não gritar... E então ele apareceu... Aquele gordo e peludo urso...E disse: “Oi Garotinha, você quer sair daqui? Eu sei como! Você vem?”
Sid... Aquela coisa se chamava Sid... Eu já estava cansada daquele lugar e aquilo quis me tirar de lá e eu, mesmo um pouco chapada, aceitei. Sid falou: “Ao longo da madrugada ele vem te dar teus sedativos. Não durma, resista. O resto eu te conto no caminho”.  O enfermeiro veio e quando estava para colocar aquela agulha em mim, virei seu braço - a injeção foi nele, e corri pela porta. Sid me guiou pelos corredores, passamos pela segurança. “Estamos livres”.
Doce... Um gosto doce de ar puro veio a minha boca. Sid me perguntou o que me levou a aquele lugar. “Paixão” respondi. “Tudo começou um pouco antes do meu cárcere. Ela se chamava Carmen e era uma das meninas do Le Blanc Chateau, comandado pro Morgan. Passávamos as noites juntas deitadas na minha cama. Eu queria ela só para mim, mas não, ela precisava do mundo, e o mundo dela... Então eu a matei... Levei-a para um beco e fiz da seguinte forma...”
Sufocar... Meus dedos tocaram aqueles grossos lábios que se moviam tão selvagemente. Uma confissão? Não...Um pedido de ajuda. Ela murmurava palavras das quais o significados não faziam sentido para mim  e seus olhos molhavam a minha mão. Toquei aquele delicado pescoço e apertei...Enquanto Carmen chorava, eu dizia meus motivos... Como mulheres da rua como nós poderiam amar? Aquele sentimento não convinha a pessoas como nós. Carmen fechou os olhos e dormiu, beijei sua boca e disse adeus.
"Um mundo sem amor"... Sid falou enquanto olhava dentro dos meus olhos. Me perguntou o que faríamos. Eu não soube responder. Não podia voltar para o sanatório, nem para Morgan então, juntos, seguimos perdidos pela noite. Atravessando ruas e cruzando por pessoas, chegamos a uma antiga casa na qual uma senhora observava o movimento enquanto segurava uma antiga foto. Era uma imagem confortante. Nossos olhos se cruzaram, senti lagrimas caírem do meu rosto e aquela mulher disse: "Teu coração pesa?". Fiquei muda no momento, relutei e então respondi:
"Pesa"... Respondi abaixando os olhos. Continuei a andar, a senhora então me chamou novamente: "Entra menina! Tu tá toda suja!". Eu não tinha para onde ir e nem o que fazer então aceitei o convite. Passei pela velha porteira e adentrei a casa. Era um pequeno chalé de madeira onde entrava pouca luz e o cheiro tinha gosto da comida da Morgan. A velha senhora me preparou uma xícara de chá de limão e me deu um pirex com amendoins.
Quente... Era a primeira vez em muitos dias que eu não tomava um banho frio. Sid estava sentado na privada me olhando e rindo. Perguntei o que era tão engraçado, ele disse: "Tá relaxando Savannah". Disse a ele que não mas concordei plenamente. A senhora me deu uma muda de roupas e me senti plenamente bem de não estar usando mais aquela camisola do sanatório. Me vesti e voltei a conversar com a velha senhora. Ela me contou sobre seus amores, seus dias e então falou de uma filha...Uma pequena menina a qual havia abandonado, seus olhos encheram de lagrimas, os meus também...Quem era aquela mulher afinal? Eu só queria fugir, Sid não deixou.
Dormir... A senhora foi então para seu quarto, deitou em sua cama e se despediu. Disse que podia ficar na casa por essa noite. Sid insistiu em ficar, concordei. Os grilos chiavam pela rua, se misturando aos carros e as buzinas enquanto eu perambulava pela casa. Abrindo alguns livros, acabei por encontrar um álbum de fotos e nele, haviam fotos de uma pequena garotinha. A velha senhora então levantou da cama.
“Meu pequeno tesouro”... A senhora tomou o livro de minhas mãos... “Camélia... como a flor... Essa era minha filha... Quando era minha, eu a perdi... Fui fraca...Ela foi pras ruas ainda pequena...Dizem que ela mudou de nome, virou Carmen... Não sei muito mais do que isso...”. Meus olhos começaram a se encher de lagrimas. Sid dizia para mim contar a verdade...Eu não sabia o que fazer.
O cheiro da flor... Aquela sala se encheu de cores e sensações... O que era aquilo? “Culpa” pensei... Sid me olhava como quem via minha alma... “Você é uma criança Savannah... Uma criança...” ele falou... A senhora continuava a me contar sobre Camélia... Cada sentença me derrubava mais e mais... Quando dei por mim, estava no chão, lavada em lagrimas.
Redenção... A senhora me abraçou – “O que foi menina?”. Eu soluçava e da minha boca apenas saiam palavras abafadas... Então contei... Contei sobre Carmen, contei sobre nós, sobre nossa vida, nosso amor... Contei que a matei. Os olhos daquela mulher enrijeceram e me fitavam de uma maneira penosa... A amargura daquele momento tomou minha boca... “Você me odeia.”... Ela disse que não... “Como posso te odiar?”. Eu não entendi os sentimentos dela. “Por favor, me odeie, não minta! Você me odeia! Eu matei a tua filha... EU!”... “Não”, ela disse... ”Eu matei minha filha no instante que a deixei sair... a Maior culpada sou eu”. Ela me abraçou, eu sorri.
O ultimo adeus... Eu não conseguia mais olhar para velha senhora que havia me dado um lar naquele dia. Levantei do chão e fui em direção à porta. A senhora segurou minha mão – “Você não precisa mais fugir... Não há nada lá fora para você, não há nada para pessoas como nós”. Sid a abraçou e, embora aquela velha não conseguisse a vir, sentiu-se consolada. “Não vá...”. Toquei seus dedos e sorri...

Emancipação

 Um dia
Eu não vou precisar do teu amor
Não vou pedir o teu calor
Vou ser livre

Nesse dia você ira chorar
Você vai me procurar
Nos braços de outras
Nos braços meus

Nada vai encontrar
Quando esse dia chegar
Eu vou me libertar
Eu vou ser feliz

Por hora você comanda
Por hora, você me manda
Mas minha hora vai chegar
Eu vou me liberar