terça-feira, 24 de abril de 2012

Inglório


                Marcha frio o templário. Ao seu redor não nada além das chuvas de março e um pensamento. Sua armadura, gélido metal reluzente, desaparece sob a forma do robusto peito do escudo.  “Do que vale a batalha?” – pensa consigo ao entrar no campo. “Do que vale o sangue? Do que vale a honra?”. Se suas vestes pouco escapa desnudo. Veem-se apenas duas perolas escuro, um raio brilhante de finura única e os calejados dedos cobertos por velhas luvas de couro.
Continua a marchar e sua mente paira junto às antigas cantigas de batalha, sob o véu das memórias, dos prazeres, dos amigos. Seus dedos envolvem a bainha de sua espada, seu coração bate mais forte. Está ali, aquele é o inimigo. “Por quê?” - Sua mente se enche de angustia. “Qual a razão?”. Sua armadura se banha naquele fétido vinho e novamente “Por quê?”.
O raio se dissipa, as perolas se fecham e os dedos agora abraçam aquela forma desfigurada de sangue e lagrimas. “Do que vale a honra?” disse. O corpo então sorriu. “De que vale a vida? De que vale a morte?” respondeu.  Os tambores continuaram a ressoar, os cantos de batalha ecoavam pelo campo enquanto o templário encontrava-se ali, atirado sobre si.
“A batalha...” murmurava. ”Nada mais é do que a razão de ser... O sangue... A honra... A batalha...”. Suas perolas empalideciam. “Nada são... Nada serão...”.

Gaiola


Animal, conta-me teus segredos
Me diz por que teu coração bate
Me fala dos teus medos

Eu sei que tu não me entendes
Também não posso te entender
Mas me mostra o teu mundo
Quero o conhecer

No teu sorriso, te escondes
Revelas no teu olhar
Desconheço teus medos
Não vou te machucar

Animal, eu te liberto, mas deixe-me entrar
O mundo aqui é quente
Diferente do de lá. 

sábado, 21 de abril de 2012

Gabriela


Minha menina
Ouça o que tenho a dizer
Há coisas maiores na vida
que teus olhos podem ver

Menina, entenda...
Teu coração vai doer
Não sorria
Pra que sorrir?

Lagrimas vão cair
Teu rosto vai corar
Não te esconda
É lindo teu olhar

Talvez você não entenda
Tão pouco queira notar
Força não é o que vem de dentro
Não é o que se tenta mostrar

Dedicado a minha querida amiga, Gabriela Burck

sexta-feira, 13 de abril de 2012

?

Eu errei antes de ir
Na minha despedida, nada disse
Nada fiz

Ateei fogo aos fugazes sorrisos
As incertezas queimaram
Nada sobrou

As labaredas subiram alto
Tocaram o céu
Nada vi

E então ele chorou
Suas lagrimas lavaram minha alma
Nada senti

Ela estava presa ali
E dela eu me despedi
Nada disse, nada fiz, nada sobrou, nada vi

Nada senti...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Projeções I

Eu quero um coração pra partir
Alguém pra mentir
Eu quero fingir
Quero fugir

Um coração rachado
com vários buracos
pouco corado
um coração como o meu

Mentiras pequenas
Daquelas bobeiras
De dizer que não amo
De dizer que não ligo

Fingir a brabeza
Fazer cara de emburrado
Te deixar um pouco de lado
e correr pros teus braços

Um lugar longe daqui
Perto do mundo
Perto de tudo
Junto de ti.