sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Onii


Eu vi o tempo passar e a distancia crescer
Vi centímetros virarem metros
E quilômetros se tornarem nada.

Mesmo de longe , sinto-te
Quilômetros de distancia, vejo-te
Sem que você note, estou aqui

Eu te conheço tão bem
Conheço as nossas promessas
Quem tu és.

Que estejas feliz lá
E que teu sorriso diga algo
Duradouro e belo

Cá estou, a te observar
Já não te sinto, não mais
Não mais posso, não mais.

Só me prometas não chorar
E se dos teus olhos caírem lagrimas
Nos meus braços recanta teu corpo

Não mais posso, te sentir, não posso
Te ver, não posso, te ouvir, não posso
Mas te amar, eu posso.

sábado, 27 de outubro de 2012

Sinceridades.

Estarei bem
Contanto que morram todos
E não sobre ninguém

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Chamadas Perdidas.



Em um quarto sujo de Hotel, sentada a beira da Janela, estava Alice, jovem de cabelos loiros e corpo magro, nua e fumando um cigarro. Conversava com Clara, igualmente jovem, porém fisicamente mais saudável e de cabelos negros, a quem confessara seu amor a poucos minutos. Clara vestia-se para retornar as ruas, trabalhava como garota de programa. Ao longo do processo Alice contava seus sonhos amorosos, Clara, os absorvendo apaticamente, dizia “Sim, Claro. Aham...”. Alice demorou a entender o que ali acontecia e questionou se realmente era amada de volta. Clara respondeu, dizendo que pertenciam a mundos diferentes, pegou o dinheiro do programa e saiu, batendo a porta silenciosamente. Alice chorou.
Alice era uma mulher metódica, chamava por Clara sempre no mesmo horário e nos mesmos dias, contudo, as chamadas cessaram depois daquela noite. De inicio, Clara estranhou, checava seu celular enquanto fazia ponto na Rua Liberdade, esquina com a Aurora (Canoas), mas não havia nenhuma chamada, sequer uma mensagem. Seguiu prestando seus serviços. Foi, então, contratada para fazer um ménage à trois por um homem de aparência refinada. Entrou no carro e, ao seu lado, estava uma bela mulher de cabelos vermelhos. Seguiram os três em direção a um motel, durante o caminho, nenhuma palavra foi dita.
No motel, o homem se despiu no quarto, enquanto Clara, aparentemente, o observava, seus olhos estavam vazios. A ruiva estava se arrumando no banheiro. Retocava a maquiagem e arrumava o cabelo, seus olhos denunciavam certo nojo. Pegou sua bolsa e seguiu em direção ao quarto. Deitaram-se na cama e começaram a transar. Clara alisava a pele da ruiva, que se contraia em um misto de vergonha e prazer. Clara notou a estranha reação da garota, colocando sua mão, delicadamente, no rosto da garota, fazendo-a lhe olhar. “Alice?”, Clara sussurrou. A resposta foi o silencio abafado pelos gemidos.
Ao fim do programa, o homem deixou as garotas no ponto onde Clara trabalhava. A ruiva desceu do carro e caminhou em direção a Rua Liberdade. “Alice! Eu sei que é você!”, Clara gritou. A ruiva continuou caminhando, silenciosa. “Fala Comigo!”, gritou, novamente, Clara, sem obter alguma reação.  Do olho da ruiva, desceu uma lagrima, mas nenhuma palavra foi dita. Sentiu sua mão ser puxada e, então, virou-se. Clara olhou em seus olhos e disse “É você, Alice...”. As garotas se encararam por um breve momento. Clara perguntou o que havia acontecido, porque ela estava ali. Alice se manteve silenciosa. Clara a abraçou, questionou o que estava acontecendo. Alice apenas disse “Nós pertencemos a mundos diferentes”, se libertou dos braços de Clara e partiu. Clara sentiu seus olhos molharem.
Clara voltou para o ponto, olhou o celular novamente. Nenhuma mensagem, nenhuma chamada.

sábado, 6 de outubro de 2012

Vio

Violentado
        Violado
                Violência
                       Violeta
                    Viola
                 Violão
           Violino
     Violoncelo
 Viofórmio

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Me encontrar


Eu abracei meu ser
Abracei-o por completo
Abracei-o todo
O incompleto

Minhas mãos tocaram o melhor de mim
O mais doce
O mais sutil
Talvez, o mais feliz

Meus braços envolveram quem sou
Meus vícios, as cicatrizes,
Minhas lagrimas, as estrias
Minhas clemencias, os cortes

Meu peito aconchegou meus medos
Todos eles, sem exceção
Pois eu temo estar sozinho
Eu temo a solidão

Ao meu corpo abracei
Cada parte de mim eu senti
E todo o vazio
Eu acoli.  

sábado, 22 de setembro de 2012

Não tão surreal


A gata borralheira
Que limpa os corredores
Tira pó dos vazios
E as teias das artérias.
O liquido ressecado

Lhe é permitido sonhar
Uma noite ou outra, fechar os olhos ver
Mentir para si, lhe é permitido
Sofrer com algo que jamais chegará.
Uma viagem só de ida para um lugar longe daqui.

Esperando pela fada madrinha
E pelos sapatos de cristal.
Fugindo do badalo do relógio
Do medo desconhecido..
Um futuro que não existe

Quando a porta se abre e alguém entra
O coração esquenta
Nova esperança
Um novo alguém para sonhar.
Rota de fuga

Nos novos olhos descansam os sorrisos
E a promessa da fada madrinha
Do sapato de cristal, do balado
Mas é um sonho
Um amor condicionado

Condicionado ao badalo
Ao som do relógio
Ao grito de acordar
Aos teus lábios
Junto a outro alguém

sábado, 15 de setembro de 2012

Versos Soltos


Eu abracei todos meus medos
Todos eles
Pois temo a solidão. 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Garoto de Programa


Lençóis vermelhos.
Me conta tudo...
Dos teus sonhos, do teu passado.

Disse que gosta de mim,
Mas que gosta do mundo
Gosta de tudo e te todos
E que deseja muito mais
Do que a vida de casais.

Contou que sente medo
Que não sabe o que está por vir
Que não sabe onde ir

Posso segurar na tua mão?
Acho que posso te guiar
Por caminhos tortuosos
De noites escuras e longas
Por onde podemos passa

Só confia... E me segue
Entre as pedras e os espinhos
Não solta a minha mão

É uma noite longa
Na qual é melhor sonhar,
Mas sonha comigo, segura minha mão
Pois pedras e espinhos vão te machucar,
Mas faço a frente, eu faço o vão.

O que seria isso? Frio?
E o que criamos... Um vão?
O que aconteceu?

Lençóis vermelhos
Secos, sem uma lagrima, sem um fluído
E você, sentado ai, desnudo, o que esperas?
Tuas cicatrizes? Eu disse... Segura a minha mão
Eu faço o vão.

Não era isso? Não...
Era menos... Era muito menos
Não era nada.

Teu sorriso mentiu para mim
Tanto quanto os teus olhos,
Mas não tem problemas
O teu dinheiro está ali
E o amante que você foi... Eu te resumo.

Levas teu dinheiro e apaga nossas histórias
A noite já está por acabar
E aqui não é seu lugar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A menina que pulava pelo tempo.

-Ele gosta de você. Você não notou? Bem, esse nunca foi o teu forte.

Disse que amava, sem dizer
Disse sem falar
Disse com o olhar
Disse com o fazer.

Makoto...
“Eu te amo”.
 
“Eu gosto de você”. 

-Chiaki?!
Vou te esperar
Logo... Lá na frente
De um lugar? Não, do tempo.
E esse passa, mas isso não

-Eu te espero no futuro

O quão longe fica isso?
Eu vou... Me espere, estarei lá
Eu vou estar lá
Eu vou correr até lá

-Chiaki!
-Makoto...
-Eu te amo
-Eu gosto de você.


baseado no filme "The girl who leapt through time" ,de 
Mamoru Hosoda

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Dissonante


A musica é meu corpo, a maior das melodias
Dentre meus dedos passam-se as cordas do violão, as cerdas do violino
Ao mergulhar na loucura dos ritmos, encontra-se o castanho instrumento
E a víscerosa bateria, batendo compassada e bruta.

O Tambor, tão rude, ali se esconde, dentro da caixa
Juntos estão: a flauta-doce, ecoando o fluido desejo, as castanholas,
Violoncelos, xilofones, pífaros...

O meu corpo tem melodias, as maiores da musica
Dentre seus segredos se escondem os sons, as falas
Ao mergulhar na loucura dos pensamentos, encontra-se caixas vazias
E os sons...Que jamais ecoarão novamente.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Boneco de corda

Ele pensa em mim como se eu fosse um brinquedo
Me dá corda, usa, brinca e guarda
Ele me deixa na caixa
Eu fico lá

Eu falo (nos raros momentos, abro o coração)
Ele não escuta - brinquedos não falam por si
Eu choro
Ele não pode ver

Dos meus sons
 (Brocas, engrenagens)
Em seus ouvidos...
 O silêncio

Das minhas palavras
 (O protesto de um coração que cansou de bater)
Das dele
- Eu gosto de você assim, desse jeito.

 (Assim como? Desse jeito como?!)
Dá corda, usa
 (Você nunca me ouviu, você não me conhece!)
Brinca, usa

(Eu só queria o teu amor...)
Guarda.


segunda-feira, 25 de junho de 2012

Phillip


I’m asking you...
Take me by the hand
Take me far away
I want to see the skies
I want a brand new day

I want lick your neck
Soft and sweet
I want breath your air
Before I sleep

I said I wasn’t in love
Pleasure denial
Your fire I can’t bare
I can’t survive

So, take me by the hand
Take me far away
I want to see your body
All over me.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Vísceras


Penso nele e em suicídio...
Morrer e ser mais um desses outros corpos ocos,
Eviscerados... Tal como estou

Sem um cérebro para poder pensar,
Para fugir
Sem um coração que bata por outro,
Egoísta

Meu pensamento vai longe
Vai onde ele está, onde deixa ir;
E ele está com outro... Com outra
Com meu cérebro e meu coração

domingo, 27 de maio de 2012

Libido


Nesse momento, vocês são um
E o teu corpo, ela domina
Tudo teu, é dela
Tudo dela, é teu

Dela também é a mentira
Aquele corpo não entende teu coração
Não engana teus olhos, nem teus ouvidos
Tudo não passa de uma brincadeira

De quem a voz que sentes perto do teu pescoço?
O que passas na tua cabeça? Em quem tu pensas?
Quando tocas aquela pele...
Te excitas?

Ela brinca com a tua cabeça
Não, ela brinca com teu corpo
O nome a quem tu clama não é o dela
A pessoa em quem tu pensas sou eu. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Depressão.

 Batom vermelho... Morgan sempre me contou que as mulheres de verdade devem ser poderosas e essa mascara tão carnal, me fazia sentir assim. Tudo começou na minha primeira vez, eu era jovem, uns 13 anos creio eu... Morgan me disse: “Tá vendo aquele senhor ali? Ele vai brincar com você, seja uma boa menina e o obedeça, ok?”.  Então aquelas mão pegajosas me tocavam, mas eu fui uma boa menina, fiz o que tinha que ser feito e continuei fazendo por mais uns 5 anos.
Camisa de força... Foi como me guardaram em uma cela. O motivo? Isso realmente não importa agora. Tudo que você precisa saber é que foi doloroso...E com amor. Morgan me visitou algumas vezes naquele lugar... Me deram remédios para dormir...Para não gritar... E então ele apareceu... Aquele gordo e peludo urso...E disse: “Oi Garotinha, você quer sair daqui? Eu sei como! Você vem?”
Sid... Aquela coisa se chamava Sid... Eu já estava cansada daquele lugar e aquilo quis me tirar de lá e eu, mesmo um pouco chapada, aceitei. Sid falou: “Ao longo da madrugada ele vem te dar teus sedativos. Não durma, resista. O resto eu te conto no caminho”.  O enfermeiro veio e quando estava para colocar aquela agulha em mim, virei seu braço - a injeção foi nele, e corri pela porta. Sid me guiou pelos corredores, passamos pela segurança. “Estamos livres”.
Doce... Um gosto doce de ar puro veio a minha boca. Sid me perguntou o que me levou a aquele lugar. “Paixão” respondi. “Tudo começou um pouco antes do meu cárcere. Ela se chamava Carmen e era uma das meninas do Le Blanc Chateau, comandado pro Morgan. Passávamos as noites juntas deitadas na minha cama. Eu queria ela só para mim, mas não, ela precisava do mundo, e o mundo dela... Então eu a matei... Levei-a para um beco e fiz da seguinte forma...”
Sufocar... Meus dedos tocaram aqueles grossos lábios que se moviam tão selvagemente. Uma confissão? Não...Um pedido de ajuda. Ela murmurava palavras das quais o significados não faziam sentido para mim  e seus olhos molhavam a minha mão. Toquei aquele delicado pescoço e apertei...Enquanto Carmen chorava, eu dizia meus motivos... Como mulheres da rua como nós poderiam amar? Aquele sentimento não convinha a pessoas como nós. Carmen fechou os olhos e dormiu, beijei sua boca e disse adeus.
"Um mundo sem amor"... Sid falou enquanto olhava dentro dos meus olhos. Me perguntou o que faríamos. Eu não soube responder. Não podia voltar para o sanatório, nem para Morgan então, juntos, seguimos perdidos pela noite. Atravessando ruas e cruzando por pessoas, chegamos a uma antiga casa na qual uma senhora observava o movimento enquanto segurava uma antiga foto. Era uma imagem confortante. Nossos olhos se cruzaram, senti lagrimas caírem do meu rosto e aquela mulher disse: "Teu coração pesa?". Fiquei muda no momento, relutei e então respondi:
"Pesa"... Respondi abaixando os olhos. Continuei a andar, a senhora então me chamou novamente: "Entra menina! Tu tá toda suja!". Eu não tinha para onde ir e nem o que fazer então aceitei o convite. Passei pela velha porteira e adentrei a casa. Era um pequeno chalé de madeira onde entrava pouca luz e o cheiro tinha gosto da comida da Morgan. A velha senhora me preparou uma xícara de chá de limão e me deu um pirex com amendoins.
Quente... Era a primeira vez em muitos dias que eu não tomava um banho frio. Sid estava sentado na privada me olhando e rindo. Perguntei o que era tão engraçado, ele disse: "Tá relaxando Savannah". Disse a ele que não mas concordei plenamente. A senhora me deu uma muda de roupas e me senti plenamente bem de não estar usando mais aquela camisola do sanatório. Me vesti e voltei a conversar com a velha senhora. Ela me contou sobre seus amores, seus dias e então falou de uma filha...Uma pequena menina a qual havia abandonado, seus olhos encheram de lagrimas, os meus também...Quem era aquela mulher afinal? Eu só queria fugir, Sid não deixou.
Dormir... A senhora foi então para seu quarto, deitou em sua cama e se despediu. Disse que podia ficar na casa por essa noite. Sid insistiu em ficar, concordei. Os grilos chiavam pela rua, se misturando aos carros e as buzinas enquanto eu perambulava pela casa. Abrindo alguns livros, acabei por encontrar um álbum de fotos e nele, haviam fotos de uma pequena garotinha. A velha senhora então levantou da cama.
“Meu pequeno tesouro”... A senhora tomou o livro de minhas mãos... “Camélia... como a flor... Essa era minha filha... Quando era minha, eu a perdi... Fui fraca...Ela foi pras ruas ainda pequena...Dizem que ela mudou de nome, virou Carmen... Não sei muito mais do que isso...”. Meus olhos começaram a se encher de lagrimas. Sid dizia para mim contar a verdade...Eu não sabia o que fazer.
O cheiro da flor... Aquela sala se encheu de cores e sensações... O que era aquilo? “Culpa” pensei... Sid me olhava como quem via minha alma... “Você é uma criança Savannah... Uma criança...” ele falou... A senhora continuava a me contar sobre Camélia... Cada sentença me derrubava mais e mais... Quando dei por mim, estava no chão, lavada em lagrimas.
Redenção... A senhora me abraçou – “O que foi menina?”. Eu soluçava e da minha boca apenas saiam palavras abafadas... Então contei... Contei sobre Carmen, contei sobre nós, sobre nossa vida, nosso amor... Contei que a matei. Os olhos daquela mulher enrijeceram e me fitavam de uma maneira penosa... A amargura daquele momento tomou minha boca... “Você me odeia.”... Ela disse que não... “Como posso te odiar?”. Eu não entendi os sentimentos dela. “Por favor, me odeie, não minta! Você me odeia! Eu matei a tua filha... EU!”... “Não”, ela disse... ”Eu matei minha filha no instante que a deixei sair... a Maior culpada sou eu”. Ela me abraçou, eu sorri.
O ultimo adeus... Eu não conseguia mais olhar para velha senhora que havia me dado um lar naquele dia. Levantei do chão e fui em direção à porta. A senhora segurou minha mão – “Você não precisa mais fugir... Não há nada lá fora para você, não há nada para pessoas como nós”. Sid a abraçou e, embora aquela velha não conseguisse a vir, sentiu-se consolada. “Não vá...”. Toquei seus dedos e sorri...

Emancipação

 Um dia
Eu não vou precisar do teu amor
Não vou pedir o teu calor
Vou ser livre

Nesse dia você ira chorar
Você vai me procurar
Nos braços de outras
Nos braços meus

Nada vai encontrar
Quando esse dia chegar
Eu vou me libertar
Eu vou ser feliz

Por hora você comanda
Por hora, você me manda
Mas minha hora vai chegar
Eu vou me liberar

terça-feira, 24 de abril de 2012

Inglório


                Marcha frio o templário. Ao seu redor não nada além das chuvas de março e um pensamento. Sua armadura, gélido metal reluzente, desaparece sob a forma do robusto peito do escudo.  “Do que vale a batalha?” – pensa consigo ao entrar no campo. “Do que vale o sangue? Do que vale a honra?”. Se suas vestes pouco escapa desnudo. Veem-se apenas duas perolas escuro, um raio brilhante de finura única e os calejados dedos cobertos por velhas luvas de couro.
Continua a marchar e sua mente paira junto às antigas cantigas de batalha, sob o véu das memórias, dos prazeres, dos amigos. Seus dedos envolvem a bainha de sua espada, seu coração bate mais forte. Está ali, aquele é o inimigo. “Por quê?” - Sua mente se enche de angustia. “Qual a razão?”. Sua armadura se banha naquele fétido vinho e novamente “Por quê?”.
O raio se dissipa, as perolas se fecham e os dedos agora abraçam aquela forma desfigurada de sangue e lagrimas. “Do que vale a honra?” disse. O corpo então sorriu. “De que vale a vida? De que vale a morte?” respondeu.  Os tambores continuaram a ressoar, os cantos de batalha ecoavam pelo campo enquanto o templário encontrava-se ali, atirado sobre si.
“A batalha...” murmurava. ”Nada mais é do que a razão de ser... O sangue... A honra... A batalha...”. Suas perolas empalideciam. “Nada são... Nada serão...”.

Gaiola


Animal, conta-me teus segredos
Me diz por que teu coração bate
Me fala dos teus medos

Eu sei que tu não me entendes
Também não posso te entender
Mas me mostra o teu mundo
Quero o conhecer

No teu sorriso, te escondes
Revelas no teu olhar
Desconheço teus medos
Não vou te machucar

Animal, eu te liberto, mas deixe-me entrar
O mundo aqui é quente
Diferente do de lá. 

sábado, 21 de abril de 2012

Gabriela


Minha menina
Ouça o que tenho a dizer
Há coisas maiores na vida
que teus olhos podem ver

Menina, entenda...
Teu coração vai doer
Não sorria
Pra que sorrir?

Lagrimas vão cair
Teu rosto vai corar
Não te esconda
É lindo teu olhar

Talvez você não entenda
Tão pouco queira notar
Força não é o que vem de dentro
Não é o que se tenta mostrar

Dedicado a minha querida amiga, Gabriela Burck

sexta-feira, 13 de abril de 2012

?

Eu errei antes de ir
Na minha despedida, nada disse
Nada fiz

Ateei fogo aos fugazes sorrisos
As incertezas queimaram
Nada sobrou

As labaredas subiram alto
Tocaram o céu
Nada vi

E então ele chorou
Suas lagrimas lavaram minha alma
Nada senti

Ela estava presa ali
E dela eu me despedi
Nada disse, nada fiz, nada sobrou, nada vi

Nada senti...

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Projeções I

Eu quero um coração pra partir
Alguém pra mentir
Eu quero fingir
Quero fugir

Um coração rachado
com vários buracos
pouco corado
um coração como o meu

Mentiras pequenas
Daquelas bobeiras
De dizer que não amo
De dizer que não ligo

Fingir a brabeza
Fazer cara de emburrado
Te deixar um pouco de lado
e correr pros teus braços

Um lugar longe daqui
Perto do mundo
Perto de tudo
Junto de ti.

sábado, 31 de março de 2012

Quando Thiago desce a escada

Em todos os amores
um vazio me preencheu

Sem teu cheiro
impregnando meu ar
não respiro
traio a mim
omito

Tua voz
ultimo som
amor meu

faleço
além das noites
longe das lutas
tarde demais
adeus.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Os brinquedos

Hoje eu não ri
Dos meus olhos nada vi
A beleza viva...
A poesia

Me dói saber que o vazio paira teu coração
Que em mim não vê afeto ou interesse
Ou mesmo se ao menos vê algo...

Eu tentei dizer a mim mesmo que de alguma forma eu ia te achar
Mas não significa nada
Eu sou só outra piada
Outra risada

Está na hora de ir, de dizer adeus
Até mais garoto, você não é um homem
Até mais paixão, você não é um amor.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A Viajante

Tem um mundo lá fora
E todas essas luzes
Todo esse brilho
Faz meus olhos doerem

Essa vida tão longe da minha
Tão longe de tudo
Tão intima, tão secreta
Me deixa curiosa

Esses sons todos
Aquela barulheira infernal
Os gritos, os gemidos, as buzinas
São de um mundo fora do meu

Contudo o que me interessa não é o meu mundo
Não são meus sons nem minha luz e muito menos meu brilho
Dos meus segredos, da minha intimidade, eu estou cansada
O que eu quero tá no mundo lá fora

Eu podia dizer que tá logo ali
Mas mesmo próximo, continua longe
E mesmo longe, continua perto
E mesmo perto, eu não posso alcançar.

Não são terras o que eu procuro
Não são tesouros
Nem o príncipe imaculado do final feliz
Mas a felicidade que ainda não chegou ao seu fim

E por esse resto de sorriso
por esse frio na barriga
Eu destruiria meu mundo
Me mudava pro teu

Eu viveria na tua cabeça
Eu me veria nos teus olhos
Me sentiria na tua boca
e moraria no teu coração

E eu sei que isso parece egoísta
Eu sei que não pedi um lar
Mas se isso é o que sinto aqui dentro
Está além de um simples gostar

Chama de amor
Chama de guerra
Chama de vicio
Tanto faz, eu não ligo.

Me chama de louca
Diz que me odeia
Me faz chorar
Não vai ser a primeira vez.

Um coração quebrado
Olhos inchados
Os soluços
E eu volto ao meu mundo

E não é isso que me interessa
Nada disso, não são os meus segredos o que eu procuro
O que eu quero tá logo ali e eu não posso alcançar
O que eu procuro tá logo ali, tá dentro de ti.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Coisas que ele me contou

Ele me disse que toda dor é suportável
Que nada dói pra sempre

Eu acreditei em cada palavra...
Cada sentença...
Acreditei o sorriso mais belo
E nos olhos mais sinceros

Nada dói pra sempre, disse ele
Toda dor é suportável
Mas me diz o que é isso no meu coração
Me diz que dor é essa que dói sem doer?

Ele chamou de vazio
Eu chamei de solidão

Então eu senti
Vazio e solitário, o oco coração pulsante
E das dores mais profundas e mesmo assim indolores
Eu senti sair a cor mais bela...

Beleza perdida no vazio dos olhos
Escorrendo pelo canto da face e caindo no peito
Derretendo sob o coração...
Oco e pulsante coração.

Cada batida era como uma gota
Gota perdida no vazio...Na solidão.

E se apenas ele estivesse aqui
Se aquele belo sorriso e sinceros olhos
brilhassem para mim
Apenas então cada gota não seria em vão...

Mas não há fogo para apagar meus erros
Não há remédio para meu coração
Não há cura para o vazio
Não há cura para solidão


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Vinho

Eu sinto o teu punhal
O sinto dentro de mim
Torça-o, faça doer, faça sangrar

Tira de mim o doce suco vermelho escarlate
Consome as perolas dos meus olhos
Mergulha-me no limbo, me deixa no escuro

Ao teu prazer, teu deleite suave
Tira de mim as forças...
E torce o punhal... Faça doer, faça sangrar.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cartas para Julieta I

Para Julieta

Que a beleza da noite – tão sombria e crua, envolva nossos corpos. De tal forma que meu coração se junte ao teu e que nossos olhos fixem-se a jamais olhar a alma de outro. Que nossos lábios – flores puras da jovialidade – toquem se no frenesi selvagem da luxuria. Que o sabor salgado da tua pele sacie meus desejos e, os prazeres do teu corpo, saúdem minhas vontades. Ofereço-te os mistérios do meu coração – pulsante e ofegante, e meu eterno fervor. Minha doce Julieta, cujo sorriso paira sobre o vazio da existência, oferece-te um lar para residir o teu coração.

De sua amada, Ofélia

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Worth


It’s not Worth
Not worth the screaming
Not worth the beating.

Not worth the thinking
No worth the acting
Not worth the spending
Not worth at all

But still…
Takes all the heartbeats
Takes all the breath
Leaves it with no air

Suffocating
Slow death
Quick Redemption
But not worth.