domingo, 20 de setembro de 2009

Vôo 741

E no meio de todas aquelas pessoas no aeroporto, tentou procurar aquele rosto familiar. Ele procurou no fundo de cada um daqueles olhos vazios e mortos, pelo cadáver familiar. Ela não havia chegado, o avião estava atrasado. Ele ficou tenso,inquieto, dando voltas e voltas e olhando através do vidro que possibilitava ver os aeroplanos, nada da nave descer.

Chovia do lado de fora... Ela olhava pela janela do avião a procura de uma brecha nas nuvens, não a encontrou, entretanto o avião mergulhou em direção ao chão, e o encontrou, estava lá, sólido e como sempre, abaixo de tudo e todos.
Os olhos dele já estavam cansados de esperar, mas ao ver a nave descendo, deixou o café que tomava cair, e começou a tremer, e como tremia, o nervosismo era tanto que o fazia desejar fugir, mas havia lutado muito para chegar onde chegou, nada estragaria o momento, nem ele mesmo.

Ela olhou para os vidros do aeroporto, e o viu. Ela ficou vermelha, desviou o olhar e continuou o caminho. Entrou no grande saguão, pegou sua mala, passou pela checagem e seguiu para o saguão principal.
Ele a viu, neste instante, seus olhos se chocaram.

-Eu esperei muito por isso – Ele dizia
-Eu sei... – Ela dizia
-Eu tive medo... – Ele disse
-Medo do que? Eu prometi que viria, eu vim! Deveria confiar mais em mim! – Ela retrucou
-Não disso! Medo...Que você fugisse. Não sou nada demais. Não sou bonito, nem inteligente, não posso te dar presentes caros nem realizar tudo que você quer. – Ele respondeu, escondendo seus olhos com a manga da camisa, estava destruído por dentro, ele estava se destruindo para ser mais específica.
-Não seja ridículo! – Ela o esbofeteia com força, deixando as marcas dos dedos desenhadas na face dele.
-Me desculpe – As lagrimas caiam do rosto dele
-Eu vim até aqui, e não foi pelo que você aparenta, pelo que você tem... Eu vim por você, por amar você e por ter certeza de que, independente do que aconteça, é você quem eu quero, e só você, mas ninguém! Não quero um deus grego, nem um bilionário! Quero você, e só você!
-Eu te amo – Ele dizia soluçando

-Eu te amo – Ela respondeu
Ele a abraçou, e quando seus olhos se encontraram, se beijaram. Todos no aeroporto pararam para ver aquele homem chorando, abraço e beijando aquela mulher. Assistiam a cena como se fosse gravação de novela, mas a vida as vezes imita a arte, e aquela cena, por mais fantasiosa que parecesse, era real.

Quando os lábios se separaram, as pessoas os aplaudiam, e o casal não sabia o que estava ocorrendo. Eles nem ligavam, estavam um com o outro, era o que importava.

domingo, 13 de setembro de 2009

"Passaram as estações...Nada mudou"

A porta abre:
Três passos o homem da em direção a jovens senhoritas sentada a uma mesa a direita do bar, conversando sobre a vida alheia e julgando relacionamentos.
-Não falem do amor, vocês são ocas por dentro. – Diz o homem, quebrando toda a magia da conversa das garotas.

O homem se retira do bar:
-O amor está morto, nada pode ser feito, o que existe hoje, é um desejo mutuo por luxuria. Os relacionamentos não duram, e não são mais os mesmos. São compostos por Uma maquina de sexo e uma outra de dinheiro, ou duas do mesmo tipo, quando uma perde um pouco de sua função, é trocada.

A neve fria congela o coração do homem:
-Sabe, não sou diferente deles. Eu acreditei que o amor fosse a coisa mais forte, e mais importante na vida. Acreditei que fosse a verdade absoluta, o destino. Pensei que nada era mais puro que amar. Estava errado. O Amor morreu, o que sobrou foram os atos que se faz quando se ama. Isso é amor?

Chega à primavera :
-As flores desabrocharam, as arvores estão pondo folhas novas, mas aqui dentro continua tudo seco. Queira eu que meus sentimentos fossem como estas plantas, morrem, revivem, morrem, revivem, num ciclo belo e sem fim. Mas não sou como elas, não sou como nada, não há comparação que me defina, sou uma incógnita, o “x” da questão.

Mariah:
-Cabelos balançavam ao vento, envoltos por uma fita lilás. Mariah se você me estendesse, mas você nunca faria, mal consegue aceitar o que é, como aceitaria o que os outros são? Eu te amei, mas você matou meu amor. Matou o que eu julguei ser imortal.

Karolyne
- Seus olhos me seduziam, como as curvas de seu corpo. Você não matou meu amor, não se pode dar vida a um sentimento enterrado. Matou minhas esperanças. Seu sorriso sincero e seu toque macio, sua gentileza...Mas, acima de tudo, o seu fogo, ardente e sedento, me fazia delirar. Me prendeu na sua teia de prazeres, mas você não é uma deusa, e eu me libertei de você, mas perdi minha esperança. Fique com ela, será uma recordação.

Brunnie
-Tuas palavras ecoam em meus pensamentos, mas Brunnie, você é tão resguardada. Nunca vi seu rosto, sempre envolto naquela mascara. O que me atrai são seus mistérios? A procura por algo que eu talvez nunca possa ter? Meu amor esta morto, não há como você o reviver, mas me prenda em seu jogo de sedução, quero brincar desta vez. Serei seu Peão, seja minha rainha. Nunca vi seu rosto, nunca senti seu cheiro. Você é uma incógnita, você me superou. Brunnie eu pertenço a você.

O homem contou suas memórias enquanto viu o gelo derreter...

domingo, 6 de setembro de 2009

6:30

E no silencio da cama, eles se encaravam, com seus corações seguindo na mesma batida, e seus olhos se encontrando uma vez que outra, e quando os olhares se chocavam, o ritmo perdia o compasso.

O quarto escuro era cheio de mistérios, e o clima da noite os convidava para dançar. Seus corpos nus depostos naquele colchão se entrelaçavam e se comunicavam, em um ritmo perfeito, que superava o carnal,era místico, não era sexo, era amor.

Ele sussurrava coisas doces, enquanto mordiscava a orelha, ela o arranhava, enquanto gemia e baforava em sua nuca. Eles pertenciam um ao outro, e era apenas isso que importava, nada mais,era esse o mundo, aquele quarto pequeno, que privava todos os atos.

Ela se entregava ao romantismo, ele sedia ao prazer. Ela era irresistível, seduzindo com seus olhos azuis, cabelos loiros e batom vermelho. Ele era um poeta, sabia fazer a mais profana das situações, soar como arte.

O amor se mostrava puro naquele ritmo caótico, era tudo que precisavam, tudo necessário naquela noite, queriam amor, precisavam dele, era o alimento, não para o corpo, mas para a alma, ela pedia todo esse fogo, toda essa energia!

Estavam prestes a terminar aquela dança caótica. Ele a apertou forte em seus braços,ela o agarrou forte pelo cabelo. Eles gemeram. Havia acabo.

Seus corpos nus deitaram sob o colchão macio, e se abraçaram. Trocavam caricias e “eu te amo”. O que eles fizeram não era pecado, não era imoral, era puro e mágico, simplesmente amor, na sua forma mais pura, física, visível.

Todo o prazer do momento era divino, a sensação era surreal, e eles trocavam esse sentimento mutuamente, tanto antes, quanto depois do que aconteceu. E isso não acabaria aquela noite. Eles tinham um amor forte, não precisavam de mais nada, exceto o que eles já tinham.

O sol nasceu, quebrando a escuridão que fora tão prazerosa horas atrás, mas convidando para um novo dia. Seu calor era bom, mas nada superava o que havia entre aqueles corpos na cama, nada era melhor do que as caricias e o afeto daquele momento. Era hipnótico.

Ele dizia “acorde meu bem”, mas ela respondia algo como “só mais cinco minutos...” e isso o fazia rir. Ele acariciava seus cabelos e mordiscava seu pescoço, e isso a fazia rir. Eles ficavam nesse ritual por certo tempo, até que a luz começasse a ferir-lhe os olhos, então partiam.

A água do chuveiro caia quente, evaporando ao tocar o chão. Ela banhava o corpo enquanto ele preparava o desjejum. Ela o chamava, e se banhavam juntos, sorrindo e brincando entre a espuma.

Eram felizes, esses ritos os faziam perfeitos...

O despertador toca, 6:30. O sonho acabou, nada foi real.