domingo, 22 de novembro de 2009

Esse quarto será minha cova.

Senhorita Solaria olhava pela janela da torre mais alta onde residia, vendo seu reino em guerra. Pobre fiéis derramando sangue no campo de batalha, enquanto os clérigos rezavam e os arcanos eram hostilizados. Era para sua segurança, Lady Solaria não poderia sair de lá até o reino estar em paz...Ela morreria lá, a guerra duraria mais do que o esperado, cem anos...E Solaria viria o ultimo soldado cair em batalha.

Vivia solitária, mas nascera para governar, morrer não era opção. Recebia seus alimentos sem que abrissem a porta, respirava sem fazer barulho e amava sem nem ao mesmo pensar...E seu amado pareceria , o ultimo no campo de batalha, e seu sangue cobriria o coração de Solaria, que estava seco e calejado.

Em seu quarto ela lia, assistia a guerra, olhava para as nuvens... Sentia a brisa, fria, era sua única certeza, o vento que conhecia era frio e que morreria por amor. Ela esperou, enquanto estudava, ia das artes até as mais complexas das ciências e estudos teológicos. Sua companhia eram seus papiros, livros e anotações.

Lorde Raphael era seu nome, o nome gravado no coração de Solaria. Ela o amava, ele nem sabia direito quem ela era. Para ele todas as mulheres eram iguais, instrumentos fúteis de prazer, que além de engravidar, sabiam cozinhar e tecer, eram bruxas, ciganas ou donas de casa, nunca seriam dignas de governar, possuíam beleza que se esvaia com o tempo, assim como suas habilidades.

Solaria conhecia essa realidade, quem sabe isso era o que a fazia amá-lo? Quem sabe o fato desse amor ser impossível tornava o tão cobiçado? Ela não queria desistir dele, ela sabia que o amava, sabia que era o mais puros dos amores, sabia que ao deitar ela nele que pensava, que seus estudos eram para ser prestativa a ele, sabia que o céu desenhava seu rosto, que os pássaros contavam sobre seu amado, que o ar tinha seu perfume, sabia de tudo isso, e ao mesmo tempo não sabia de nada, não sabia o que ele sentia, não sabia o que pensava, não sabia onde estava. Quem poderia dizer qual dos soldados Raphael era? Todos vestiam armaduras escuras,estavam lavados em sangue ou caídos nas pradarias.

Raphael era capitão de uma das armadas, nunca pensaria em amor, só precisava da adrenalina da batalha, do poder que sua liderança propiciava, das diversas mulheres com quem transava sem nenhum compromisso. Ele não sabia que esses atos machucavam alguém, e mesmo que soubesse, não mudaria seu estilo de vida. Se ele causa dor a um, ele mata a outro, causar dor era algo normal. Foi corrompido por todas as sensações que lhe davam uma confiança inabalável. Era o preço pelo poder, nunca conheceria o verdadeiro amor.

Os anos iam passando, Solaria apenas observava, dia após dia, soldado a soldado caindo em campo de batalha, indo ao encontro de Deus (deus), ou de um descanso eterno. Essas mortes apertavam seu coração, traziam lagrimas aos seus olhos. A cada golpe de espada dado em um soldado, outro era dado em Solaria, que sentia como se cada um de seus súditos fosse à verdade Raphael. Estava tão cega de amor, seu povo não possuía mais importância.

A Guerra chegava ao fim, ano a frio passaram. Solaria viu o ultimo soldado parado na pradaria. Ele olhou para torre, seus olhos se chocaram. Solaria viu o soldado, o soldado a viu, e mesmo a distancia, seus olhos se chocaram. Solaria gritou “RAPHAEL!”, e ele caiu. Raphael sobreviveu até o final, até encontrar sua morte. Gostaria Solaria, que o Lorde morresse em seus braços, morreria a seus olhos. Solaria não agüentou ver seu amor partir, seu coração, vestido com a mais poderosa das armaduras, a esperança, havia ficado nu para o ultimo dos cortes, e o mais profundo.

Solaria Morreu, e dentro de seus olhos sobrou a lembrança de seu amado, seu único e maior amor durante todos esses anos. Poderia ficar junto a ele pela eternidade. Estava solitaria novamente, enganando sua mente com a sensação de estar junto de seu amado.

Ela sempre teve duas certezas: o vento que conhecia era frio, e que aquele quarto seria sua cova.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O Tormento de Alessa

Em seus pensamentos ela se flagelava, questionando se o que iria fazer era mesmo certo, se era o que desejava, mas bem no fundo tinha essa certeza, cansou de ser “aquela garota”, a “quatro olhos”. Emily mandou para tumba seu passado e aceitou o pedido.

Dedicada, inteligente, sabia falar mais de três idiomas e tocar mais de cinco instrumentos, a pequena cidade de Vene havia se tornado pequena para tanto talento, mas quem Emily não recebia o reconhecimento de quem ela queria, de seus colegas. Talvez tivesse se afogado no saber para suprir suas necessidades, para ignorar a solidão.

Era o ano dos formandos de 2008 e ela era apaixonada por Jason, veterano e capitão do time de Hockey do colégio, mas ele nem a notava. Emily o queria muito, mais que tudo, mas sabia que não era sensual nem atrevida para combater as outras garotas, e quando ela pensava nisso, vinha à imagem da pior delas, Michelle.

A abelha rainha da popularidade, que havia escondido todos os traços de sua origem estoniana, tingindo os cabelos, usando maquiagem e lentes de contato, era como um afrodisíaco para os garotos, cansados das mesmas loiras com as mesmas peles brancas e olhos azuis e verdes. Michelle tinha cabelos extremamente lisos, escuros como a noite, olhos castanho-avermelhados, pele macia coberta por um pó que lhe dava aparência de bronzeado e estava sempre armada com seu batom vermelho fatal. Tinha tudo, a escola a seus pés, os pais eram escravos de suas vontades e, acima de tudo, tinha Jason. Michelle vivia o sonho de Emily.

Emily decidiu se tornar escrava das garotas populares. Começou dando um simples “oi” no corredor, em seguida foram as colas nas provas, temas de casa, trabalhos escolares. Não tardou e Emily estava entre as poderosas.

As abelhas não gostavam dela, pois parecia mais com um zangão do que com uma operaria, e assim, Emily começou a se perder como pessoa. Mudaram seu visual, suas roupas, moldaram seu comportamento e recriaram sua atitude. Emily havia morrido naquele momento, abandonando até mesmo o próprio nome. Decidiu se chamar Alessa.

Com a nova cara, sentia-se confiante, provocativa, poderosa a ponto de destronar Michelle, mal ela sabia que as operarias nunca abandonam a rainha.

O baile de formatura da turma de 2008 estava chegando, as garotas iriam juntas, com exceção de Michelle que iria junto a Jason. Alessa tinha arquitetado um plano, iria acabar com sua criadora na frente de todos, seria sua vingança por todo o menosprezo que sentiu por parte dela, e por fazer o coração rachar mais e mais a cada dia.

Na entrada da festa, Alessa e as meninas posaram para as fotos do anuário e se foram em direção a uma mesa, não levou muito tempo para Michelle e Jason chegarem. Era hora de por o plano em pratica.

As luzes escureceram, a banda começou a tocar e todos começaram a dançar, bem... Quase todos. Jason não fazia o tipo de garoto festeiro, não gostava de todo aquele som e Alessa ficou sentada junto a ele, sabia o que aconteceria quando o som começasse.

Conversaram por algum tempo, e quando Michelle parou de observar os dois, Alessa saiu do salão junto a Jason. O luar estava lindo, a lua cheia no céu, e as nuvens a rodeavam como insetos em um lampião. Ela estava tensa, mas aproveitou a situação para confessar seus sentimentos.

Quando Jason iria responder, surge Michelle entre os dois. Embora não tivesse cuidando, suas operarias estavam, afinal, uma rainha é sempre bem informada. Sabia dos sentimentos de Alessa por seu namorado, sabia o que planejava dês de o começo, estava só adiando, era hora de destruir a criação, dar um adeus ao Frankenstein que criou.

Os gritos da discussão entre as duas chamaram a atenção de todo o salão de festa, levando-os a irem verificar. Alessa nunca foi tão humilhada, e naquele momento, voltou a se sentir como Emily, e agir como tal. Ela fugiu.

Em casa se trancou no quarto, e por lá permaneceu. Nunca saberia o que Jason sentia por ela, pois não se deu mais tempo de vida,realizou o impensado, morrendo com uma overdose de anti-depressivos.

Jason amava Emily, odiava Alessa. Michelle era só o esconderijo, daquilo que no mundo da popularidade é proibido.

O amor aceita as pessoas como são, não como elas tentam ser. Não se pode enganar o coração, é o único de sabe de todas as verdades.

domingo, 20 de setembro de 2009

Vôo 741

E no meio de todas aquelas pessoas no aeroporto, tentou procurar aquele rosto familiar. Ele procurou no fundo de cada um daqueles olhos vazios e mortos, pelo cadáver familiar. Ela não havia chegado, o avião estava atrasado. Ele ficou tenso,inquieto, dando voltas e voltas e olhando através do vidro que possibilitava ver os aeroplanos, nada da nave descer.

Chovia do lado de fora... Ela olhava pela janela do avião a procura de uma brecha nas nuvens, não a encontrou, entretanto o avião mergulhou em direção ao chão, e o encontrou, estava lá, sólido e como sempre, abaixo de tudo e todos.
Os olhos dele já estavam cansados de esperar, mas ao ver a nave descendo, deixou o café que tomava cair, e começou a tremer, e como tremia, o nervosismo era tanto que o fazia desejar fugir, mas havia lutado muito para chegar onde chegou, nada estragaria o momento, nem ele mesmo.

Ela olhou para os vidros do aeroporto, e o viu. Ela ficou vermelha, desviou o olhar e continuou o caminho. Entrou no grande saguão, pegou sua mala, passou pela checagem e seguiu para o saguão principal.
Ele a viu, neste instante, seus olhos se chocaram.

-Eu esperei muito por isso – Ele dizia
-Eu sei... – Ela dizia
-Eu tive medo... – Ele disse
-Medo do que? Eu prometi que viria, eu vim! Deveria confiar mais em mim! – Ela retrucou
-Não disso! Medo...Que você fugisse. Não sou nada demais. Não sou bonito, nem inteligente, não posso te dar presentes caros nem realizar tudo que você quer. – Ele respondeu, escondendo seus olhos com a manga da camisa, estava destruído por dentro, ele estava se destruindo para ser mais específica.
-Não seja ridículo! – Ela o esbofeteia com força, deixando as marcas dos dedos desenhadas na face dele.
-Me desculpe – As lagrimas caiam do rosto dele
-Eu vim até aqui, e não foi pelo que você aparenta, pelo que você tem... Eu vim por você, por amar você e por ter certeza de que, independente do que aconteça, é você quem eu quero, e só você, mas ninguém! Não quero um deus grego, nem um bilionário! Quero você, e só você!
-Eu te amo – Ele dizia soluçando

-Eu te amo – Ela respondeu
Ele a abraçou, e quando seus olhos se encontraram, se beijaram. Todos no aeroporto pararam para ver aquele homem chorando, abraço e beijando aquela mulher. Assistiam a cena como se fosse gravação de novela, mas a vida as vezes imita a arte, e aquela cena, por mais fantasiosa que parecesse, era real.

Quando os lábios se separaram, as pessoas os aplaudiam, e o casal não sabia o que estava ocorrendo. Eles nem ligavam, estavam um com o outro, era o que importava.

domingo, 13 de setembro de 2009

"Passaram as estações...Nada mudou"

A porta abre:
Três passos o homem da em direção a jovens senhoritas sentada a uma mesa a direita do bar, conversando sobre a vida alheia e julgando relacionamentos.
-Não falem do amor, vocês são ocas por dentro. – Diz o homem, quebrando toda a magia da conversa das garotas.

O homem se retira do bar:
-O amor está morto, nada pode ser feito, o que existe hoje, é um desejo mutuo por luxuria. Os relacionamentos não duram, e não são mais os mesmos. São compostos por Uma maquina de sexo e uma outra de dinheiro, ou duas do mesmo tipo, quando uma perde um pouco de sua função, é trocada.

A neve fria congela o coração do homem:
-Sabe, não sou diferente deles. Eu acreditei que o amor fosse a coisa mais forte, e mais importante na vida. Acreditei que fosse a verdade absoluta, o destino. Pensei que nada era mais puro que amar. Estava errado. O Amor morreu, o que sobrou foram os atos que se faz quando se ama. Isso é amor?

Chega à primavera :
-As flores desabrocharam, as arvores estão pondo folhas novas, mas aqui dentro continua tudo seco. Queira eu que meus sentimentos fossem como estas plantas, morrem, revivem, morrem, revivem, num ciclo belo e sem fim. Mas não sou como elas, não sou como nada, não há comparação que me defina, sou uma incógnita, o “x” da questão.

Mariah:
-Cabelos balançavam ao vento, envoltos por uma fita lilás. Mariah se você me estendesse, mas você nunca faria, mal consegue aceitar o que é, como aceitaria o que os outros são? Eu te amei, mas você matou meu amor. Matou o que eu julguei ser imortal.

Karolyne
- Seus olhos me seduziam, como as curvas de seu corpo. Você não matou meu amor, não se pode dar vida a um sentimento enterrado. Matou minhas esperanças. Seu sorriso sincero e seu toque macio, sua gentileza...Mas, acima de tudo, o seu fogo, ardente e sedento, me fazia delirar. Me prendeu na sua teia de prazeres, mas você não é uma deusa, e eu me libertei de você, mas perdi minha esperança. Fique com ela, será uma recordação.

Brunnie
-Tuas palavras ecoam em meus pensamentos, mas Brunnie, você é tão resguardada. Nunca vi seu rosto, sempre envolto naquela mascara. O que me atrai são seus mistérios? A procura por algo que eu talvez nunca possa ter? Meu amor esta morto, não há como você o reviver, mas me prenda em seu jogo de sedução, quero brincar desta vez. Serei seu Peão, seja minha rainha. Nunca vi seu rosto, nunca senti seu cheiro. Você é uma incógnita, você me superou. Brunnie eu pertenço a você.

O homem contou suas memórias enquanto viu o gelo derreter...

domingo, 6 de setembro de 2009

6:30

E no silencio da cama, eles se encaravam, com seus corações seguindo na mesma batida, e seus olhos se encontrando uma vez que outra, e quando os olhares se chocavam, o ritmo perdia o compasso.

O quarto escuro era cheio de mistérios, e o clima da noite os convidava para dançar. Seus corpos nus depostos naquele colchão se entrelaçavam e se comunicavam, em um ritmo perfeito, que superava o carnal,era místico, não era sexo, era amor.

Ele sussurrava coisas doces, enquanto mordiscava a orelha, ela o arranhava, enquanto gemia e baforava em sua nuca. Eles pertenciam um ao outro, e era apenas isso que importava, nada mais,era esse o mundo, aquele quarto pequeno, que privava todos os atos.

Ela se entregava ao romantismo, ele sedia ao prazer. Ela era irresistível, seduzindo com seus olhos azuis, cabelos loiros e batom vermelho. Ele era um poeta, sabia fazer a mais profana das situações, soar como arte.

O amor se mostrava puro naquele ritmo caótico, era tudo que precisavam, tudo necessário naquela noite, queriam amor, precisavam dele, era o alimento, não para o corpo, mas para a alma, ela pedia todo esse fogo, toda essa energia!

Estavam prestes a terminar aquela dança caótica. Ele a apertou forte em seus braços,ela o agarrou forte pelo cabelo. Eles gemeram. Havia acabo.

Seus corpos nus deitaram sob o colchão macio, e se abraçaram. Trocavam caricias e “eu te amo”. O que eles fizeram não era pecado, não era imoral, era puro e mágico, simplesmente amor, na sua forma mais pura, física, visível.

Todo o prazer do momento era divino, a sensação era surreal, e eles trocavam esse sentimento mutuamente, tanto antes, quanto depois do que aconteceu. E isso não acabaria aquela noite. Eles tinham um amor forte, não precisavam de mais nada, exceto o que eles já tinham.

O sol nasceu, quebrando a escuridão que fora tão prazerosa horas atrás, mas convidando para um novo dia. Seu calor era bom, mas nada superava o que havia entre aqueles corpos na cama, nada era melhor do que as caricias e o afeto daquele momento. Era hipnótico.

Ele dizia “acorde meu bem”, mas ela respondia algo como “só mais cinco minutos...” e isso o fazia rir. Ele acariciava seus cabelos e mordiscava seu pescoço, e isso a fazia rir. Eles ficavam nesse ritual por certo tempo, até que a luz começasse a ferir-lhe os olhos, então partiam.

A água do chuveiro caia quente, evaporando ao tocar o chão. Ela banhava o corpo enquanto ele preparava o desjejum. Ela o chamava, e se banhavam juntos, sorrindo e brincando entre a espuma.

Eram felizes, esses ritos os faziam perfeitos...

O despertador toca, 6:30. O sonho acabou, nada foi real.

domingo, 30 de agosto de 2009

I'll Swallow

"A melodia do sofrimento, um grito, o tormento.
Entre desespero e religião, se foram os moldes...
Não pertencemos a nós mesmos, somos do mundo...
Não pertencemos ao mundo, somos ele.
"

Não ando com muito tempo para postar, então vou por aqui hoje o trecho de uma canção que é de meu agrado. Se Chama Swallow, da cantora Emilie Autumn.. Espero que gostem.


Mas eu preciso mas do que essa vida
Então eu me tornei essa criatura representando mais
Pra você do que apenas outra garota
E se eu tiver a chance de mudar minha mente
Bem eu não mudaria pelo mundo
Vinte anos
Afundando lentamente
Eu posso confiar em você?
Mas eu não quero faze-lo
Eu engolirei
Se isto for ajudar o nível do meu mar baixar
Mas eu voltarei para te assombrar seu eu me afogar
Eu engolirei
Se isto for ajudar o nível do meu mar baixar
Eu respirarei fundo
Mas voltarei para te assombrar se eu me afogar
Eu não quero ser uma lenda, Não.
Oh, Isto é uma maldita mentira, Eu quero
Para dizer que eu faço isso pelas pessoas
Eu admito é raramente a verdade
Você me diz que esta tudo bem
Como se fosse algo que você passou
Você pensa que este tormento é romântico
Bem, não é
Exceto pra você
Vinte anos,
Afundando lentamente
Posso confiar em você?
Mas eu não quero.


quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Razão e a Emoção

E a porta rangeu, um ruído agudo, como um grito, e cortou o silencio que guardava a noite. Aproximou-se devagar da cozinha, sua esposa estava lá, sentada no chão, segurando a faca, chorando, ao lados dos temperos. Ela estava sangrando.

-O que você fez?! - Dizia ele com certa raiva
-Eu o matei... - Murmurou Ela
-Nosso filho... - Caiu de joelhos
-Eu não pude aguentar... Ele nos fez sofrer.
-Cedê ele?! - Pegou a esposa pelo cabelo - Cadê?! - Bofeteou a sua face - Onde ele está?! Sua louca! Maluca!!
-No mar...Ele morreu...- Ela chorava.

Ele saiu da casa, foi em direcção da praia, procurar sua criança. Sua esposa, continuou a sangrar, logo morreria.
Na praia ele caiu de joelhos.

-Onde Está você meu filhos? Volta pra mim! Por favor...
Nada aconteceu, nada respondeu, e a cada grito que Ele dava, mais se cansava, a noite não permitira que ele quebrasse seu silencio misterioso, a noite seguia a silenciar.

Ele voltou para casa, ignorou o cadáver na cozinha, seguiu para o quarto, pegou o isqueiro de seu pai e o pôs a incendiar a cama, e sob ela deitou.

Em seu deliriu ele sentia o prazer das noites com sua mulher, e da alegria que seu filho o proporcionava, mas quando a dor o atingia, ela atacava todos os seus pontos, e as más memorias voltavam, a morte de seus pais, o corpo de sua esposa na cozinha e seu filho no mar. E em seus gritos de dor liberava sua loucura, mas não conseguiu se livrar dela, morreria lá, carbonizado e louco. As labaredas voaram, se espalharam por cada cómodo da casa, e lá ele morreu, em um inferno flamejante.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

I miss you...

Não foi preciso muito, e tu conquisto aquilo que eu tanto guardei...Meu coração...

Você transformou todas minhas dores e sofrimentos em memorias que vão ser apagadas com o tempo, e amplificou todas minhas alegrias...

Você fez minha noite mais escura e nefasta em radiantes e felizes dias...Basicamente...Você nunca me deixou cair...

Você tem sido meu anjo da guarda, que me aconselha e que se importa...

Você veio como se fosse uma onda forte vinda do mar... Levando tudo e causando confusão, e quando você apareceu, foi como minha cabeça ficou, confusa.

Você me faz ter motivos para acordar de manhã e durmir a noite...Ter motivos para respirar e para sorrir...

Você me torna mais forte, como uma espada bem amolada na mão de um bom espadachin.

Você faz meu coração bater rapido e ritmado, como uma orquestra, e feliz, com a inoscencia de uma criança que da seus primeiros passos...

Basicamente, você faz cada dia meu Sol parecer mais amarelo e minha noite mais misteriosa...

Você me faz ir além e esquecer dos meus limites, ter força e ser determinado...

Espero que não esqueça nunca, daquele que te amou incondicionalmente e que jamais te esquecerá...

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Richard.

Tocam as lâmpadas
Sentem o calor
Sofrem com a queimadura
Inocência pura.

Querido Richard onde está?
Sua mãe está esperando você chegar
Querido Richard onde está?
Você ainda pertence a esse mundo?
Você ainda vive aqui?

Richard correu
Fugiu
Richard se escondeu
Richard sumiu

Seguiu seu próprio destino
Desapareceu
Sua mãe ficou louca
A realidade na porta bateu

Richard partiu
Sim, se foi
Richard partiu
Richard Morreu.

As sirenes quebravam o silencio
O celular vibrava na mesa
As luzes da cidade clareavam a escuridão
O corpo balançava no banheiro

Richard se foi, partiu,morreu
"Mamãe", você ficou sozinha
Seu filho não vai voltar
Não adianta esperar.

Mamãe fugiu,se foi
Mamãe morreu, se matou
Seu corpo boiá
Sua alma se esvai.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cem Cortes.

O vendo sopra enquanto se lembra o que passou, sorrisos, lágrimas, manhãs de sol, tardes chuvosas, o céu estrelado, a neblina...Nunca ver a neve.
Vejo uma criança correndo pelo pátio, brincando em sua "motoca", caindo e ralando o joelho, vejo os pais desta lá, indo cuidar de seus ferimentos...Felicidade? É sempre bom quando dura.
O coração dói quando as palavras o penetram:"separa,separa,separa". Essa maldita palavra e todos seus sinónimos e antónimos. Quando o contrario vinha, era automaticamente o pressagio que aquelas palavras iriam se repetir.
E nesse vai e vem, o coração ia indo
Cem cortes, um em cada canto, dilacerando e transformando em uma pasta todos os sentimentos. Cem cortes, para deixar sem corte o que se tornou cortado.
Sem duvida, uma dor pior do que qualquer outra. Dor é um sentimento? Não...É uma saída de emergencia, para garantir que tudo que sentimos é real, que se está preso a certas regras e principalmente: para se sentir vivo.
Vida é uma dadiva, de um curto periodo de tempo, claro, se comparar com outras coisas que vivem muito, como as tartarugas ou o plastico.
Dispensar esse presente não é uma escolha sabia, entretando, mante-lo é uma grande responsabilidade. E em cem pedaços, é impossivel. O que sobra da vida? Do coração? Estilhaços...Depressão.
Deprimir é como estar morto em vida, sente a vida, mas sente-se morto. Tentar trazer a vida de volta, sorrir, é como reviver só para re-encontrar a morte. E então a morte mostra sua face no fechar do labios, se volta para o posso humido e escuro, escondido, para que ninguém lhe ache.
Cem cortes, apenas sem cortes, e a "vida" acaba.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Morte.

Demonstre força, mate seus sentidos, iluda-se.
De poder a si mesmo, cria suas regras, conspire, anule as outras leis.
Jogue seu jogo, viva sua vida, ame a si mesmo, sinta a propria dor.
Libere a propria furia, viva de si mesmo, beba do proprio veneno.
Morra.

Seja devorado, decomposto, levado
Destruido,rasgado, beliscado, queimado.
Ignorado,esquecido,esvaziado
Desapareça.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

How Original.

A Magia da tensão: motivação, pressão = depressão.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ficção.

Abro os olhos e é difícil encarar
A realidade dura onde preciso morar
Uma sabia amiga tentou me dizer
Que viver de mentiras dava mais prazer

Na pressa de existir encarei como mentira
"Louca, sádica, maluca, vadia"
Mas pensando bem, ela tinha razão
Prazer mesmo é ter desilusão

E de galhos e gravetos eu vou vivendo
As vezes ganhando
As vezes perdendo...

domingo, 5 de julho de 2009

Notas de rodapé

Eu sinto...Sinto incompleto...Sinto vazio...Sinto morto...Sinto traído...
Eu vejo, vejo com os mesmos olhos que choram, que cerram...
Eu falo...Com os mesmos lábios que sorriem e que beijam...
Eu me perco...Com a mesma energia que eu me encontro...

Mas...Eu nunca me encontro...
Quem eu sou?
O que eu sou?
Para que eu existo?
Por que eu existo?!

Eu não sou nada...
Nunca serei nada...
Nunca fui nada...
Eu não existo...
Nada existe...

Eu existo.